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Saúde

Entenda o que é o linfoma não Hodgkin, câncer que causou a morte do cantor Netinho

O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador (BA), após complicações de um linfoma não Hodgkin

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 15h34

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Foto: Reprodução

LUIZA LOPES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador (BA), após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B.

Diagnosticado em março de 2025, o câncer entrou em remissão naquele ano, mas voltou em maio de 2026. Na ocasião, o cantor contou aos fãs que a doença havia reaparecido de forma mais agressiva.

O quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, segundo uma publicação nas redes sociais do artista.

O QUE É O LINFOMA NÃO HODGKIN?

É um grupo de cânceres que se originam nos linfócitos, células de defesa do organismo. Elas fazem parte do sistema linfático, rede de vasos, gânglios e órgãos que transportam a linfa, líquido que contém células do sistema imunológico.

Como essa rede está distribuída pelo corpo, os tumores podem surgir em diferentes regiões. Há dezenas de subtipos, que variam na velocidade de crescimento e na resposta ao tratamento. Alguns evoluem lentamente, enquanto outros são agressivos e podem avançar rapidamente.

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 12.560 novos casos por ano de linfomas não Hodgkin entre 2026 e 2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres.

O QUE SIGNIFICA SER DO TIPO B?

Os linfomas não Hodgkin podem se originar de linfócitos B, linfócitos T ou células NK, todos envolvidos nas defesas do organismo.

Os linfócitos B participam da produção de anticorpos, proteínas que ajudam a reconhecer e combater agentes infecciosos.
Os linfomas de células B são os mais comuns e representam cerca de 85% dos casos de linfoma não Hodgkin, segundo o A.C. Camargo Cancer Center.

Dentro desse grupo, há subtipos com comportamentos distintos. O linfoma difuso de grandes células B, por exemplo, costuma crescer rapidamente, enquanto o linfoma folicular geralmente tem evolução mais lenta.
A classificação como tipo B, portanto, não determina por si só a gravidade do câncer nem as chances de cura. Para isso, é necessário identificar o subtipo específico e avaliar a extensão da doença.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Um dos sinais mais comuns é o aumento dos gânglios linfáticos, que pode ser percebido pelo surgimento de caroços geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha. Os gânglios também podem aumentar em regiões internas, como o tórax e o abdômen.
Outros sintomas incluem febre persistente sem causa aparente, suor noturno excessivo, perda de peso inexplicada, cansaço, fraqueza e coceira na pele. Quando o tumor atinge o tórax, pode provocar tosse ou falta de ar.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

A confirmação geralmente é feita por biópsia, procedimento em que uma amostra de tecido, frequentemente de um gânglio aumentado, é retirada para análise em laboratório.
Exames de sangue e de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, ajudam a avaliar a extensão do câncer.

Dependendo do caso, também podem ser necessários exames da medula óssea para verificar se o linfoma atingiu essa região, onde são produzidas as células do sangue.
O resultado permite identificar o subtipo e classificar o estágio, que indica quanto a doença se espalhou pelo organismo.

COMO É O TRATAMENTO?

Depende do subtipo, da velocidade de crescimento do tumor, do estágio e das condições clínicas do paciente. As opções incluem quimioterapia, imunoterapia e radioterapia, usadas isoladamente ou em conjunto.

A imunoterapia, por exemplo, utiliza medicamentos que ajudam o sistema imunológico a reconhecer ou combater as células cancerígenas.

Também podem ser indicadas terapias-alvo, que atuam sobre características das células tumorais; terapia CAR-T, que modifica células de defesa do paciente para combater o câncer; e transplante de células-tronco hematopoéticas, que pode ajudar a recuperar a produção de células sanguíneas após tratamentos intensivos.

Nem todos os pacientes precisam iniciar o tratamento imediatamente após o diagnóstico. Em alguns linfomas de crescimento lento, o médico pode recomendar acompanhamento regular e começar a terapia apenas se a doença progredir ou provocar sintomas. Já os tipos agressivos costumam exigir tratamento rápido.

É POSSÍVEL DETECTAR O LINFOMA PRECOCEMENTE?

Para pessoas sem sintomas, o Inca não recomenda exames de rastreamento, pois não há evidências de que essa estratégia traga mais benefícios do que riscos.

Já a investigação de sinais suspeitos, como gânglios aumentados e perda de peso sem causa aparente, pode favorecer o diagnóstico precoce.

QUAIS OS FATORES DE RISCO?

O risco é maior em pessoas com o sistema imunológico comprometido, como aquelas que usam medicamentos imunossupressores ou vivem com HIV.

Algumas infecções também estão associadas a subtipos da doença, entre elas as causadas pelos vírus Epstein-Barr e HTLV-1 e pela bactéria Helicobacter pylori.

A exposição a substâncias químicas, como benzeno, agrotóxicos e solventes, também está associada a determinados tipos de linfoma.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE LINFOMA DE HODGKIN E NÃO HODGKIN?

Ambos são cânceres do sistema linfático, mas se distinguem pelas características das células identificadas no tumor.

O linfoma de Hodgkin é caracterizado pela presença de células alteradas específicas, chamadas células de Reed-Sternberg, identificadas na análise do tecido.

Já o linfoma não Hodgkin reúne um grupo mais amplo de tumores, que podem se originar em linfócitos B ou T, entre outros tipos de células, e apresentar evolução lenta ou agressiva.

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