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Saúde

Campanha sobre pobreza menstrual leva mancha de sangue à capa de jornais sul-africanos

O papel de jornal é um dos recursos aos quais meninas atingidas pela pobreza recorrem para lidar com a menstruação, assim como trapos e outros materiais inadequados

Redação Jornal de Brasília

12/06/2026 18h38

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Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

Existe uma expressão popular para se referir a jornais que dão notícias violentas ou sensacionalistas: um jornal que pinga sangue.

Nos exemplares do último dia 1º de junho dos periódicos sul-africanos The Star, The Mercury and Cape Time, o sangue em questão estava impresso na capa e nas páginas seguintes.

Quem quisesse ler sobre a seleção sul-africana na Copa do Mundo teria de encarar a mancha de tinta vermelha. O borrão é parte de uma campanha de conscientização sobre pobreza menstrual encabeçada pela organização sem fins lucrativos MENstruation Foundation, da África do Sul.

A expressão pobreza menstrual caracteriza a dificuldade de meninas e mulheres em conseguir produtos de higiene básica, como absorventes, coletores menstruais, papel higiênico, água limpa e sabonete.

O papel de jornal é um dos recursos aos quais meninas atingidas pela pobreza recorrem para lidar com a menstruação, assim como trapos e outros materiais inadequados.

As manchas imitando sangue são acompanhadas pelo mote “O jornal pode absorver o sangue, mas não absorve a vergonha”. Segundo a organização, 4 milhões de meninas em idade escolar na África do Sul recorrem a jornais e outros meios durante a menstruação.

Por meio de um QR Code impresso no jornal, a campanha direciona o leitor para uma página de doações financeiras para a compra de absorventes.

Na África do Sul, 1 em cada 3 meninas não vai à escola durante o período menstrual por falta de produtos de higiene adequados, segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Organizações da sociedade civil do país pedem que o Parlamento e suas comissões ampliem medidas concretas para acabar com a pobreza menstrual.

No Brasil, absorventes podem ser retirados nas 31 mil unidades do programa Farmácia Popular desde janeiro de 2024. A medida é voltada a estudantes de baixa renda de escolas públicas, pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade extrema e população do sistema prisional.

Há, no entanto, muito a avançar. Pesquisa divulgada em maio pelo Instituto Alana em parceria com o Equidade.info mostrou que 8,2% das meninas brasileiras dizem faltar às aulas por falta de produtos de higiene e banheiro adequado. Outros motivos citados para a ausência na escola foram cólicas menstruais (57,7%) e medo de o sangue vazar e vergonha (19,3%).

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