Sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta de modo significativo o bem-estar emocional, segundo pesquisa do Global Wellness Institute (GWI) em parceria com a Roche Diagnóstica. O levantamento também indica apoio ao uso de tecnologias como sensores e inteligência artificial para prever mudanças nos níveis de glicose e ajudar no manejo da condição.
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada em setembro de 2025, em nível global, com 4.326 pessoas com diabetes com 16 anos ou mais, sendo 20% no Brasil. O estudo foi aplicado em 22 países.
Entre os entrevistados no país, 78% relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois em cada cinco dizem se sentir sós ou isolados por causa da doença. O levantamento mostra ainda que 56% afirmam que o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa, 46% relatam dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas, e 55% dizem não acordar plenamente descansados por causa das variações glicêmicas noturnas.
A pesquisa aponta também que a maior parte dos pacientes não se considera atendida pelo modelo atual de cuidado. Apenas 35% dizem se sentir muito confiantes no gerenciamento da própria condição. Para 44% dos consultados, tecnologias mais inteligentes que possam prever alterações na glicose deveriam ser priorizadas para prevenir complicações. Já 46% dos pacientes que usam medidores tradicionais defendem a adoção de sensores de monitoramento contínuo de glicose, por funcionarem como alertas preditivos.
No recorte sobre previsibilidade, 53% dos entrevistados dizem que a principal funcionalidade desejada em sensores com inteligência artificial é a capacidade de prever níveis futuros de glicose, percentual que sobe para 68% entre pessoas com diabetes tipo 1. Entre esses pacientes, 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever hipoglicemia e hiperglicemia.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, afirmou que o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico contínuo são importantes para evitar complicações. Segundo ele, o monitoramento contínuo da glicose pode fazer diferença principalmente para pacientes com diabetes tipo 1, por permitir uma leitura antecipada das variações glicêmicas.
Vianna também afirmou que a tecnologia pode reduzir internações e atendimentos de urgência, além de diminuir custos para o sistema público de saúde. Ele disse ainda que, no Brasil, esses aparelhos são mais difundidos entre pessoas de maior poder aquisitivo e não foram disponibilizados em larga escala no sistema público. No país, há quatro empresas que comercializam esses dispositivos.
A pesquisa também mostra que 56% dos brasileiros consultados dizem que saber antecipadamente as tendências da glicose lhes daria sensação de controle sobre a doença, enquanto 48% afirmam que a redução de surpresas com picos e quedas inesperadas aumentaria a qualidade de vida.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde tornou pública a decisão de não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente em pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2. Em dezembro do ano passado, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 323/25, que obriga o SUS a fornecer gratuitamente dispositivos para monitorar a glicose de pacientes com diabetes mellitus por dispositivo de escaneamento intermitente. A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.