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Saúde

Brasil integra estudo global em busca de cura para hepatite B

Consórcio internacional reúne pesquisadores de cinco países para investigar o comportamento do vírus e possíveis caminhos para tratamento.

Redação Jornal de Brasília

30/08/2026 9h19

Foto: Agência Brasil

Duas universidades públicas brasileiras passaram a integrar um consórcio internacional que investiga novos tratamentos e uma possível cura para a hepatite B. O grupo é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne pesquisadores do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.

No Brasil, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa, iniciada no país neste ano, deve acompanhar pacientes por cerca de cinco anos e combina investigação científica básica com prática clínica.

Segundo a professora do Hucam-Ufes Tânia Reuter, referência no tema, o estudo busca entender o comportamento do vírus em pacientes de diferentes países, as respostas imunológicas das pessoas infectadas e, também, casos de coinfecção por hepatite B e HIV. O objetivo é identificar fatores que fazem o vírus evoluir de forma diferente em cada paciente, além de características genéticas capazes de proteger contra uma progressão mais rápida e subpartículas que possam servir como preditores de cura ou de tratamento.

Reuter afirma que os pesquisadores observarão 600 pacientes com hepatite B e com coinfecção por hepatite B e HIV, sendo 150 de cada país. Desses, 75 ficarão sob análise da equipe dela. O recrutamento começou em julho e, até o momento, 40 participantes foram incluídos. A meta é completar o grupo até o fim deste ano.

O consórcio foi criado em 2023, mas acabou suspenso em 2024 e retomado no ano seguinte. A pesquisa tem prazo estimado até meados de 2027. Reuter afirma que o trabalho busca alvos que possam auxiliar no manejo e no desenvolvimento de medicamentos, como imunoestimuladores e imunomoduladores, com foco em mitigar a evolução para cirrose e câncer hepático.

A hepatite B é uma doença viral que ataca o fígado e ainda não tem cura. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 240 milhões de pessoas vivem com infecção crônica. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados 276,6 mil casos entre 2000 e 2022.

A transmissão pode ocorrer sexualmente, por contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Segundo a Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o vírus do tipo B é 100 vezes mais contagioso que o HIV.

A OMS tem como meta erradicar o HIV, as hepatites virais e as infecções sexualmente transmissíveis como ameaças à saúde pública até 2030. Em relatório divulgado em julho deste ano, a organização informou que as infecções anuais por hepatites virais caíram 32% globalmente desde 2015, em meio ao aumento da cobertura da vacinação infantil, que chegou a 84% em 2024.

No Brasil, o Ministério da Saúde informa que a principal forma de prevenção é a vacina, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Para crianças, são recomendadas quatro doses: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos, em geral, o esquema completo é de três doses. Também são indicados o uso de preservativos em todas as relações sexuais e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e de uso pessoal.

Com informações da Agência Brasil

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