A Globo já definiu quem assume a conversa mais delicada da eleição caso a disputa presidencial chegue ao segundo turno: Renata Lo Prete. As entrevistas estão previstas para 8 e 9 de outubro e terão a apresentadora do Jornal da Globo no comando, sem César Tralli e Renata Vasconcellos na bancada. A escala, vale dizer, já fazia parte do planejamento eleitoral divulgado pela emissora antes da primeira rodada.
Eu acordei, abri a janela no Cosme Velho e dei de cara com aquele sol que faz a pessoa jurar que vai ter uma manhã produtiva. Aí o celular apitou com a notícia da Globo e pronto: antes mesmo de decidir entre café coado ou cápsula, eu já estava pensando que, em televisão, escala de eleição é quase relação de família. Ninguém muda de lugar sem alguém perceber.
Tralli e Renata Vasconcellos ficaram responsáveis pelas sabatinas do primeiro turno, exibidas em programa especial logo depois do Jornal Nacional. Já Lo Prete entra se houver a rodada final, sozinha, para entrevistar os dois candidatos que sobreviverem à guerra das urnas.

E não é uma escolha qualquer, não. Segundo turno é quando o sorriso dura menos, a resposta vem mais ensaiada e cada pergunta chega à bancada vestida de perigo. A Globo guardou Renata Lo Prete justamente para a fase em que não dá para trocar olhar com o colega, procurar folha perdida ou pedir para o intervalo chegar logo.
A troca ganhou conversa porque a dupla do JN passou por uma semana de sabatinas que rendeu comentários nas redes. Na entrevista com Lula, Tralli se confundiu ao tentar identificar a apresentação em PowerPoint citada pelo presidente. Já na conversa com Flávio Bolsonaro, Renata Vasconcellos ajudou o colega a localizar uma pergunta sobre Adriano da Nóbrega. Pequenos momentos, mas em ano eleitoral até uma folha fora de ordem vira assunto de sofá, grupo de família e mesa de bar.
Só que a emissora não anunciou nenhuma punição nem vinculou a nova escala às críticas. Pelo contrário: o desenho já previa Tralli e Vasconcellos no primeiro turno e Lo Prete no segundo. A fofoca existe porque o timing foi irresistível: a dupla enfrentou a pressão da primeira rodada e, logo depois, veio a confirmação de que a fase final terá outra dona.

Eu ainda estava de camisola, escolhendo se levantava da cama ou se ficava mais cinco minutos admirando o ventilador, quando pensei: Renata Lo Prete ganhou o posto que todo mundo quer e teme. É a cadeira da final, minha gente. Não basta entrevistar; tem de atravessar duas campanhas inteiras, dois candidatos já sem paciência e um país pronto para transformar cada vírgula em briga.
A jornalista também está no centro da cobertura política da GloboNews e do Jornal da Globo, acompanhando a corrida eleitoral de perto. Ou seja, ela não chega como convidada de última hora. Chega com a pasta na mão, a campanha inteira na cabeça e a cara de quem sabe que, naquela semana, ninguém vai escapar de responder o que preferia esquecer.
A eleição ainda nem decidiu se terá segundo turno, mas a Globo já deixou claro quem segura o microfone caso a disputa aperte. E eu, que precisava só levantar para escovar os dentes, fiquei mais dez minutos na cama pensando numa coisa: quando a emissora escala Renata Lo Prete para o desfecho, é porque sabe que outubro não vai aceitar apresentador distraído.