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Saúde

AMB lança cartilha para uso ético de IA na medicina

Material orienta profissionais de saúde sobre aplicação da inteligência artificial na prática clínica, baseada em resolução do CFM.

Redação Jornal de Brasília

28/04/2026 11h01

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Foto: © Rawpick/Freepick

A Associação Médica Brasileira (AMB) lançou neste mês uma cartilha destinada a orientar médicos e instituições de saúde no uso da inteligência artificial (IA) na prática clínica. O documento é baseado na Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em fevereiro de 2026, que representa a primeira legislação brasileira dedicada exclusivamente a esse tema.

A norma estabelece um prazo de 180 dias para adequação, com entrada em vigor prevista para agosto de 2026. Um dos pilares destacados pela AMB é que a IA deve ser utilizada apenas como ferramenta de apoio, mantendo a decisão clínica sempre sob a responsabilidade do médico, que preserva sua autonomia técnica e ética.

Embora a tecnologia amplie a capacidade diagnóstica e operacional, o julgamento humano é considerado insubstituível. A cartilha detalha direitos dos médicos, como o uso livre de IA para suporte à decisão e a possibilidade de recusar sistemas sem validação científica ou com riscos éticos.

Entre os deveres fundamentais, estão a capacitação contínua, o uso crítico das ferramentas e o registro obrigatório em prontuário sempre que a IA for utilizada. Proibições incluem a delegação de diagnósticos à IA, o uso de sistemas sem segurança de dados e a omissão de informações ao paciente quando a tecnologia tiver papel relevante.

Um destaque é a classificação dos sistemas de IA por níveis de risco — baixo, médio, alto e inaceitável —, com exigências proporcionais de governança. Sistemas de maior impacto clínico demandam estruturas mais robustas de controle, monitoramento e validação.

Para segurança jurídica, o registro do uso da IA em prontuário é essencial, além da adoção de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) específico para a tecnologia, garantindo transparência. A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é obrigatória, tratando dados de saúde como sensíveis.

Com linguagem acessível, a cartilha oferece um passo a passo para conformidade, incluindo inventário de sistemas, classificação de risco, validação científica, criação de protocolos internos e capacitação de equipes. O material inclui um checklist institucional e um glossário com conceitos como IA generativa, modelos de linguagem e vieses algorítmicos.

A iniciativa da AMB visa apoiar os médicos brasileiros na incorporação segura e ética da inteligência artificial, promovendo inovação sem comprometer a qualidade assistencial e a autonomia profissional.

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