Menu
Saúde

Amamentação pode reduzir risco cardiovascular na mulher, diz SBC

Sociedade Brasileira de Cardiologia associa o aleitamento a menor risco de doença cardiovascular, AVC e infarto

Redação Jornal de Brasília

02/08/2026 14h04

A amamentação pode reduzir em cerca de 11% a chance de a mulher desenvolver doença cardiovascular, em comparação com quem não amamenta, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A entidade afirma ainda que períodos mais longos de lactação estão ligados a menor risco de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.

De acordo com a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, as publicações citadas pela entidade giram em torno de 18 meses de amamentação. Nesse recorte, a mulher que amamenta por mais tempo teria 12% menos risco de AVC e 14% menos risco de infarto.

A médica esclarece, porém, que isso não significa que a mulher que não amamenta tenha risco aumentado para esse tipo de doença. Segundo ela, durante a gestação ocorrem alterações hormonais, como aumento da resistência à insulina e elevação dos lipídios e do colesterol, principalmente do LDL. Na lactação, haveria um “reset metabólico”, com melhora do metabolismo glicídico, aumento da sensibilidade à insulina, uso de glicose pelo corpo, redução do risco de diabetes, além de diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca.

A SBC também destaca a atuação de hormônios liberados no período de lactação, como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento, que teriam efeito protetor sobre o miocárdio. A ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, é citada como um dos principais elementos dessa proteção, por contribuir para a vasodilatação e para a melhora da circulação.

Alexandra Mesquita afirma que as doenças cardiovasculares respondem por 33% da mortalidade feminina e que, segundo ela, matam sete vezes mais que o câncer de mama. Ela também lembra que fatores como diabetes, pressão alta e sedentarismo são comuns a homens e mulheres, mas podem ser piores entre as mulheres. Entre os fatores de risco próprios do sexo feminino, citou menarca precoce ou tardia, menopausa precoce, endometriose, ovários policísticos, uso de anticoncepcional oral e alterações da gravidez, como hipertensão induzida pela gestação, diabete gestacional e bebê de baixo peso.

Neste sábado (1º), será comemorado o Dia Internacional da Amamentação. A campanha global do Agosto Dourado é coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e tem como objetivo reforçar a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno. A pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), lista benefícios da amamentação para mãe e criança, como proteção contra doenças, recuperação pós-parto, desenvolvimento infantil, maior vínculo afetivo, formação dos dentes, fácil adaptação, prevenção de tumores, planejamento familiar, construção de hábitos alimentares e benefício financeiro.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado