O deputado federal André Janones (Rede-MG) acusou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de financiar uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia, para encontros privados com homens ricos e poderosos Em publicação nas redes sociais neste sábado, 24, o parlamentar também cobrou investigações sobre possíveis ligações do esquema com pessoas próximas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A publicação ocorreu após Janones passar os últimos dias levantando dúvidas sobre a identidade de uma mulher chamada Mariana e sua suposta relação com Flávio. O deputado incentivou seguidores a utilizarem a hashtag #QuemEMarianaFlavio, que ganhou repercussão nas redes sociais durante a reta final do segundo turno.
Neste sábado, Janones revelou que se referia a Mariana Vishegirskaya, jovem ucraniana fotografada em 2022 enquanto deixava uma maternidade atingida por um bombardeio russo na cidade de Mariupol, quando estava grávida. O episódio ganhou repercussão internacional e se tornou uma das imagens mais conhecidas da guerra na Ucrânia.
O parlamentar esclareceu, no entanto, que não há informações que relacionem Mariana aos eventos promovidos por Vorcaro ou a encontros com Flávio Bolsonaro. Segundo Janones, a história da jovem foi utilizada para ilustrar a vulnerabilidade de refugiadas que poderiam ser alvo de redes de exploração sexual.
“As denúncias envolvendo Vorcaro e Flávio precisam ser integralmente investigadas. Mas as mensagens reveladas já exigem respostas sobre a possível exploração de mulheres em situação de extrema vulnerabilidade”, escreveu Janones.
A publicação faz referência a uma investigação jornalística divulgada pelo UOL em 13 de outubro, baseada em mensagens, contratos e comprovantes de pagamento que apontam que Vorcaro teria financiado uma rede de prostituição de alcance internacional, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões.
Entre os diálogos divulgados estão mensagens de dezembro de 2023 entre Vorcaro e o promotor de eventos Diogo Batista sobre uma refugiada ucraniana de 19 anos que havia chegado ao Brasil após fugir da guerra.
“Ela não tem pra onde ir. Estão bombardeando a cidade dela”, afirmou Batista em uma das conversas. Em outra mensagem, o intermediário descreveu a jovem como “gata e novinha” e sugeriu sua inclusão em uma agência de modelos ligada ao grupo.
“Enquanto uma mãe ucraniana preocupada enviava áudios de bombas caindo, os amigos de Flávio planejavam como aproveitar a permanência de sua filha no Brasil”, escreveu Janones.
Na sexta-feira, 23, foi divulgado que a Polícia Federal solicitou autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para exploração sexual e favorecimento da prostituição em festas organizadas por Vorcaro. O pedido ocorre após a divulgação das mensagens e de denúncias apresentadas por entidades de defesa dos direitos das mulheres e de migrantes.
A defesa de Vorcaro nega que o ex-banqueiro tenha explorado ou desrespeitado mulheres e contesta a autoria, a autenticidade e o contexto das mensagens divulgadas. Até o momento, não há comprovação de envolvimento de Flávio Bolsonaro no suposto recrutamento de refugiadas.
Estadão Conteúdo