A convocação do diretor do DFTrans, Marco Antônio Campanella, que prestará esclarecimentos na Câmara Legislativa amanhã, é considerada necessária pelos parlamentares, para que as denúncias sejam esclarecidas.
Caso Campanella não compareça à Comissão de Fiscalização e Controle, a situação dele ficará complicada, porque a ausência pode ser interpretada como culpa nas acusações. Parlamentares defendem ainda que seja questionada a participação de membros do PPL, partido do diretor, nos atos de vandalismo no Rio de Janeiro.
O DFTrans foi alvo de denúncias que vão desde desvios na arrecadação do sistema de bilhetagem, até a influência política do PPL, partido de Campanella dentro do órgão. Auditores fiscais afirmam que para conseguir um cargo terceirizado, funcionários precisam se filiar à legenda. Há duas semanas, os integrantes da comissão aprovaram por unanimidade a convocação de Campanella.
Uma oportunidade
Para o deputado Joe Valle (PDT), presidente da comissão, se o depoimento não for prestado, o diretor do DFTrans pode perder uma oportunidade de se defender das acusações. “A ausência será interpretada da mesma forma de quando foram pedidas informações ao DFTrans e elas não foram prestadas. O papel da Casa é fazer fiscalização e isso será trabalhado à revelia, quer dizer, ele poderia esclarecer informações sobre as denúncias e se isso não acontecer, elas podem ser consideradas como verdades”, advertiu.
A Comissão de Fiscalização pediu informações ao órgão, mas elas não foram fornecidas. Além disso, os técnicos da Câmara Legislativa foram impedidos de ir até a sede do DFTrans fazer apurações sobre as acusações.
O deputado Wellington Luiz (PMDB) acredita que também deve estar em pauta a possível participação de Marcelo Alves Enéas Dantas, conhecido como Marcelo Tigre, filiado ao PPL, nos protestos contra o leilão de exploração do Campo de Libra, que acabaram em atos de vandalismo.
“Já que são servidores lotados no governo, ligados a Marco Antônio Campanella, e participaram desses movimentos em horário de trabalho, é claro que tem que ser apurado. Principalmente por causa da ligação entre eles e o diretor do DFTrans e diretor do PPL”, afirmou. O ex-servidor era chefe da assessoria de gabinete da Administração Regional do Jardim Botânico e foi exonerado no mesmo dia dos protestos.
Na última semana, a deputada Eliana Pedrosa (PPS) adiantou o conteúdo de seu relatório sobre o DFTrans. A distrital acredita que o diretor cometeu ações que poderiam configurar improbidade administrativa. O documento será analisado na próxima reunião do grupo, no mesmo dia do depoimento.
Saiba Mais
O transporte público do DF tem sido alvo de denúncias de irregularidades.
Apesar de não ser da alçada do DFTrans, e sim da Secretaria de Transportes, a licitação de ônibus também atraiu suspeitas.
No entanto, o tema não chegou a ser alvo de CPI na Câmara.
Investigação barrada eleva as suspeitas
Apesar da convocação, Eliana Pedrosa não acredita que esclarecimentos serão prestados. “É importante que ele venha porque são muitas denúncias. Todos os dias a Câmara recebe denúncias sobre o DFTrans e a mídia também tem divulgado isso. É uma oportunidade para que ele venha apresentar sua justificativa. Estou um pouco cética quanto a isso, porque nossos técnicos não puderam trabalhar quando tentaram investigar. Na hora que você esconde, não permite que seja feita a investigação, é porque tem alguma coisa a esconder”, opinou.
A assessoria de comunicação do DFTrans afirmou, por e-mail, que Campanella não poderia dar entrevista, por conta de falta de espaço na agenda. Questionado pela reportagem, o órgão não se posicionou sobre as denúncias.
Filiado sob suspeita
Recém filiado ao PPL, Marcelo Tigre, nega que tenha participado de atos de vandalismo no Rio de Janeiro. Além disso, ele esclarece que não seria mais funcionário do GDF no dia em que viajou para participar dos protestos. “Não tinha mais compromisso com o governo, então não faltei ao trabalho. Eu fui lá por uma manifestação pacífica. Tanto é que os black blocs não estavam lá”, contou. “O PPL não tem essa atuação. Se tivesse viajado com essa intenção, de fazer vandalismo, teria ido preparado para a guerra”, completou. Marcelo afirma ser contra o leilão e, por conta disso, se dispôs a protestar contra o governo federal.
Marcelo Tigre se candidatou a deputado distrital em 2010 pelo PTC e obteve 1,6 mil votos. No último mês, ele se juntou ao partido de Campanella, o PPL.