Recém-criados, Pros e Solidariedade adotam posturas distintas em relação ao governo de Agnelo Queiroz. Enquanto o primeiro, presidido pelo deputado federal Ronaldo Fonseca, vindo do PR, decidiu ficar na base de apoio, a legenda liderada por Augusto Carvalho, também deputado federal ex-PPS, quer ficar em posição de independência. O Pros se junta ao grande grupo de 17 partidos que apoiam o Buriti.
Antes da mudança oficial de comando no PR, Ronaldo Fonseca se movimentou para deixar o partido. Principalmente, porque foi decidido na esfera nacional que a legenda não apoiaria mais o Buriti. O deputado federal percebeu que a saída do PR seria inevitável.
Vínculos pessoais
Para isso podem ter pesado condições pessoais dos presidentes regionais. Augusto Carvalho não conseguiu se reeleger, amargando uma segunda suplência. Como o seu PPS havia apoiado Agnelo e se integrado à chapa do PT à Câmara dos Deputados — em grande parte por conta de Augusto — o Buriti chamou o deputado Geraldo Magela para a Secretaria da Habitação e Augusto ficou em sua vaga.
Ainda no PR, Ronaldo Fonseca ganhou influência sobre o Detran. Se permanecesse no partido, hoje na esfera do ex-governador José Roberto Arruda, perderia esse espaço
Com a criação do Pros, o deputado federal viu a possibilidade de continuar apoiando Agnelo, segundo ele por questão de coerência.
“Já estávamos na base, ajudando a administrar o DF e de repente decidiram mudar. Não tenho motivo para passar à oposição bruscamente. As pessoas têm que entender que partidos não são feitos de uma pessoa só”, relembrou.
Sem garantia
Mesmo integrando a base e após a mudança de legenda para poder apoiar o GDF, o presidente do Pros não garante a aliança com Agnelo para 2014, apesar da tendência para manter a coligação. “Infelizmente, a política é feita a curto prazo e as coisas ainda estão incertas. Até mesmo o Pros pode ser que não continue apoiando. Se não for bom para os dois, não tenho motivos para isso”, afirmou.
Suplência ajudou, pensa presidente
O presidente do PPS, Francisco Andrade, acredita que a saída de Augusto Carvalho (foto) para um partido que não faz oposição ao Buriti deve-se a vários motivos, entre eles o fato de o deputado ser suplente de Geraldo Magela, do PT. Além disso, o lançamento da pré-candidatura de Eliana Pedrosa a governadora pode ter exercido algum tipo de influência, pensa Andrade. “Pode ser um conjunto de situações. Fizemos força para que não saísse, mas ele achou melhor. Inclusive pode contribuir para viabilizar a candidatura da Eliana e consolidar aliança com o PPS no ano que vem”, afirmou.
Solidariedade não recebe cargos
O Solidariedade foi aprovado há poucas semanas pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas não deve receber cargos ou demonstrar apoio a todas as ações do GDF. É o que garante Augusto Carvalho, fundador do PPS, legenda que deixou a base de Agnelo no ano passado.
“Vamos acompanhar o governo à distância, mas sempre criticando o que não concordarmos e elogiando as boas iniciativas. Por enquanto, não houve discussão sobre cargos e nem sequer tive contato com Agnelo depois que eu assumi o comando do Solidariedade”, disse.
Formar bancada
Para as eleições de 2014, o projeto é eleger deputados distritais e federais. Embora já pense em eleger nomes importantes, as possíveis coligações ainda não foram definidas pelo Solidariedade no DF. “Está cedo para discutir alianças, ainda mais porque os cenários estão nebulosos e não se sabe quem serão os candidatos. Mas vamos definir isso no primeiro semestre do ano que vem”, garantiu Carvalho.