ANA POMPEU
FOLHAPRESS
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) restringiu nesta sexta-feira (16) iniciativas como a de canais no WhatsApp para campanhas eleitorais. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos ministros e definiu critérios para o uso de aplicativos, incluindo o recebimento de recursos ligados à candidatura e direcionamento aos canais oficiais.
A questão ganhou relevância ao longo dos últimos dias diante de decisões conflitantes da corte sobre o mesmo tema em relação ao uso das plataformas pelas campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nos casos em que essas plataformas forem vinculadas a campanhas, deverão ser informadas à Justiça Eleitoral e serão submetidas às mesmas regras de propaganda eleitoral, incluindo a não divulgação de informações falsas, sob risco de serem indisponibilizadas.
O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, autorizou na quarta (14) que o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), voltasse ao ar antes das 48 horas determinadas anteriormente por ele.
A antecipação da autorização se deu após a coligação do presidente Lula (PT) pedir que a corte eleitoral suspendesse pelo mesmo prazo o canal no WhatsApp “Tropa do Flávio”, ligado à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), para equiparar o tratamento dado aos dois canais.
O texto foi construído pelos ministros em reunião feita na sede do tribunal. Participaram da redação o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques; o vice-presidente, André Mendonça; o corregedor-geral, Ricardo Villas Bôas Cueva; os ministros Dias Toffoli, Sebastião Reis Júnior, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha; e Marco Aurélio Bellizze, que integrou o grupo que cuida da propaganda.
A mudança na resolução eleitoral estabelece quando um canal na internet passa a ser considerado vinculado a uma campanha eleitoral, atingindo os canais no WhatsApp, fóruns on-line e outras plataformas de terceiros.
Para a vinculação, basta uma das características listadas pela corte. Além do uso de estrutura ou recursos da campanha, do partido ou da federação, a resolução prevê uso de suporte material ou humano, suporte técnico da campanha; a divulgação do link de convite ou o endereço do canal nos perfis ou canais oficiais da campanha; o direcionamento de seguidores aos perfis ou canais oficiais da campanha; e a orientação pela equipe da campanha do conteúdo, a frequência de publicação ou as metas do canal.
A ação ajuizada por Flávio contra o “Exército do Lula” afirmava que circulavam no canal conteúdos com fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, ligação do candidato com milícias e lavagem de dinheiro na Kopenhagen, além de cortes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
No entanto, o jurídico de Flávio não anexou nenhum documento relativo a isso, sejam atas notariais ou registros digitais mostrando o conteúdo encontrado no canal.
A área técnica disse não ter encontrado os conteúdos citados por Flávio no canal. A campanha bolsonarista, por outro lado, alega que, em 18 minutos, 219 mensagens foram apagadas do meio digital.
TSE define regras sobre canais no WhatsApp em campanhas após decisões conflitantes para Lula e Flávio
Questão ganhou relevância ao longo dos últimos dias diante de decisões conflitantes da corte sobre o mesmo tema em relação ao uso das plataformas pelas campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL)
Foto: Antonio Augusto/TSE