Sionei Ricardo Leão
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Levantamento sobre o número de escândalos políticos no Brasil nas últimas quatro décadas demonstra que os casos estão numa escalada crescente. Nos anos oitenta a média era de oito casos por ano. Entre 2001 e 2009 a estatística já é de 10,4 – embora restem dez meses para encerrar-se o decênio. Cientistas políticos analisam esse fenômeno como efeito da redemocratização do País, que aumenta a transparência da vida pública e diminui a tolerância da sociedade com os desmandos do poder.
Entre 1970 e 1979, ao longo da ditadura militar, foram 22 escândalos. O primeiro foi simbólico para o período. Em 1975, nos porões do Doi-Codi em São Paulo, o jornalista da TV Cultura Vladimir Herzog foi encontrado morto numa das celas do famoso órgão de repressão. Embora o governo tenha alegado suicídio, o fato serviu para evidenciar a prática da tortura pelo aparato de repressão. O assassinato levou o então presidente Ernesto Geisel a exonerar o comandante do II Exército, Ednardo D’Ávila Mello. Abriu-se uma crise dentro do regime.
No período posterior (1980 a 1989) o número caiu, pois foram registrados 17 casos. Foi nessa fase que se iniciou a redemocratização a partir do governo Sarney (1995-1990). O salto aconteceu na década de 1990, com 96 episódios. O índice continua crescendo. Faltando um ano para se completar a década já são 125, o que corresponde a 10,4 por ano.
Origem candanga
Se a década de 2000 encerra-se agora, Brasília e o Distrito Federal teriam uma simbologia pouco louvável. O primeiro escândalo do decênio teve origem candanga. Em 2001, o ex-senador Luiz Estevão (PMDB) inaugurou a lista. Acusado de ser o mentor de esquema de tráfico de influências que levou ao superfaturamento na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, Luiz Estevão teve o mandato cassado. Atualmente, caso mais explorado pela imprensa nesse início de 2010 é o chamado Mensalão do DEM, como é mais conhecido nacionalmente – desencadeado pela operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.
O caso Caixa de Pandora está longe do fim. Apesar disso, é pouco provável que no segundo semestre ainda esteja em evidência. Existe um ciclo para esses episódios. Eles surgem com força e grande repercussão. Passam a uma segunda fase em que predomina a investigação da imprensa, com a divulgação de detalhes e desdobramentos. Por fim, caem no esquecimento da opinião pública até surgir um outro escândalo.
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