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TCU vai fiscalizar políticas de combate a assédio sexual na Caixa

Para estancar a crise envolvendo o comando do banco público, o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu escolher uma mulher

Por FolhaPress 29/06/2022 1h31
Foto: Divulgação/TCU

Idiana Tomazelli
Brasília, DF

A presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministra Ana Arraes, vai determinar nesta quarta-feira (29) a abertura de uma fiscalização na Caixa Econômica Federal para verificar toda a política de prevenção e combate ao assédio sexual no banco.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, é alvo de acusações de assédio sexual relatadas por funcionárias da instituição. O caso foi revelado na terça-feira (28) pelo portal Metrópoles, que relata também a existência de uma investigação no Ministério Público Federal.

Os episódios incluem, segundo os relatos das mulheres, toques íntimos sem consentimento, propostas inadequadas às funcionárias e outras condutas inapropriadas.

A fiscalização do TCU deve mirar no levantamento de toda a política de prevenção e combate ao assédio sexual dentro da Caixa, examinando canais de denúncia, políticas de preservação do sigilo do denunciante, se há salvaguarda a quem faz uma denúncia e as regras de acompanhamento desses temas.

Em 2020, a corte de contas iniciou uma auditoria operacional para elaborar uma radiografia do tema na administração pública federal. O processo foi relatado pelo ministro Walton Alencar.

Um dos resultados foi a formulação de um modelo de prevenção e combate ao assédio, que deve servir de referência para futuras auditorias. O trabalho, porém, focou na recomendação das melhores práticas, sem tratar individualmente de eventuais falhas nos mecanismos já existentes dos órgãos públicos.

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No relato das funcionárias da Caixa surgiram acusações de que a corregedoria do banco não tratou as denúncias com o devido sigilo. Segundo o portal Metrópoles, uma das denunciantes disse que seu caso, após informado à corregedoria, chegou às mãos de auxiliares do gabinete de Guimarães.

Uma funcionária da Caixa disse em depoimento à Folha que também foi assediada por Guimarães, presidente da instituição. Ela afirma ter sido puxada pelo pescoço e ter ficado em choque após o episódio. A mulher pediu para ter sua identidade preservada por receio de sofrer retaliação do comando do banco.

Interlocutores no Palácio do Planalto dizem que a manutenção de Pedro Guimarães à frente da Caixa Econômica Federal se tornou insustentável em meio às denúncias envolvendo o executivo.

Para estancar a crise envolvendo o comando do banco público, o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu escolher uma mulher para substituir Guimarães: a secretária Daniella Marques, braço direito do ministro Paulo Guedes (Economia).

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