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Tasso diz que apoio a Tebet deve prevalecer no PSDB e sugere Leite vice

O senador refuta a ideia de compor a chapa com a emedebista como vice, mas minimiza a divergência e sustenta que deve prevalecer a tese

Por FolhaPress 25/05/2022 2h26
Foto: Agência Brasil

Thiago Resende e Julia Chaib
Brasília, DF

Citado por tucanos como um possível candidato à chapa presidencial da chamada terceira via, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) defende que o partido supere as divergências internas e apoie a pré-candidata à do MDB, Simone Tebet (MS).

“A Simone é um ótimo nome. Avançou bastante o nome dela nas nossas negociações com o MDB e Cidadania”, afirma Tasso em entrevista à Folha de S.Paulo.

Após o ex-governador de São Paulo João Doria desistir de concorrer à Presidência, integrantes do PSDB, como o deputado Aécio Neves (MG), insistem que o partido tenha um candidato próprio. Outra ala quer indicar o vice na chapa com Tebet.

O senador refuta a ideia de compor a chapa com a emedebista como vice, mas minimiza a divergência e sustenta que deve prevalecer a tese de apoio a Tebet.

Membro histórico do PSDB, Tasso avalia que o ex-governador Eduardo Leite (RS) deve ser o escolhido para ser vice de uma aliança encabeçada pelo MDB. “Eu acho que [Leite] é um ótimo nome. […] Não [para presidente, e sim] para ser vice”, afirmou.

PERGUNTA – Qual sua avaliação sobre a atual situação do PSDB após Doria anunciar a desistência da candidatura?

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TASSO JEREISSATI – O país precisa de uma alternativa que não seja de extrema esquerda contra a extrema direita. O país historicamente tem uma vocação de centro. O país tem na democracia o seu valor fundamental. Por essa razão, a terceira via é fundamental e não pode sair para uma eleição fragmentada.
Foi esse o fundamento da conversa que o presidente [nacional do PSDB] Bruno [Araújo] teve com o presidente do MDB [Baleia Rossi] e com o presidente do Cidadania [Roberto Freire], que no começo também envolveu o União Brasil: para formar um consenso em torno de uma candidatura só. Em relação a isso, todos estamos de acordo. Nós temos que ter uma candidatura única. Não só em função do partido, mas em função do país.

E, para isso, o ideal é apoiar o nome do MDB?

T.J. – Nós nos adiantamos bastante numa negociação com o MDB e com o Cidadania. Houve uma certa preferência naquele momento pelo nome da Simone Tebet em função da comparação com o governador Doria. A meu ver, o governador Doria tomou ontem [segunda-feira] a iniciativa que o engrandeceu muito.
Eu liguei para ele e disse: ‘Olha, eu sei que você está ferido, mas você cresceu. Não tenha dúvida que sua imagem cresceu’. Foi um fato que nós celebramos porque facilita esse caminho de irmos para uma candidatura só, mas essa questão tem que ser levada ao partido agora para finalizar. Como todo partido democrático, temos gente que pensa diferente, mas nós temos que mostrar unidade agora.

Na sua avaliação, a Simone Tebet seria a melhor opção para a terceira via?

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T.J. – Na minha avaliação, a Simone é um ótimo nome. Avançou bastante o nome dela nas nossas negociações com o MDB e Cidadania. Mas existem as condições básicas agora que é a decisão da Executiva [do PSDB], que precisa referendar a nossa posição, e das negociações com o MDB.

O sr. já mencionou que há divergências no PSDB.

T.J. – Poucas divergências.

Uma ala do PSDB, capitaneada por Aécio Neves, ainda quer uma candidatura própria.

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T.J. – Pessoalmente, seria incoerente defender candidatura própria, que dividiria o centro democrático. Eu acho que nós não vamos chegar a lugar nenhum. O caminho que parece é o de um acordo em torno da candidatura da Simone.

Com um candidato a vice-presidente do PSDB?

T.J. – Eu acho que é o caminho natural o vice ser do PSDB, já que somos três partidos. Podemos incorporar mais [partidos] para atrair o Podemos, PSD. Então temos que ficar abertos nesse momento. Não é urgente a definição do vice.

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O sr. seria candidato a vice?

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T.J. – Eu não seria candidato. Seria uma honra ser vice da Simone ou de outro candidato, mas não é hora dessa definição. Temos que ver se nós atraímos mais partidos e as definições internas no PSDB.

Se o seu nome for apresentado como o mais viável como vice-presidente, o sr. diria que isso seria descartado?

T.J. – Eu faço este ano 74 anos. Depois de uma certa idade a gente não renuncia a mais nada, não pode dizer ‘dessa água não beberei’, mas não é um projeto meu.

Ser candidato a presidente também não seria uma possibilidade?

T.J. – Logo no começo, meu nome foi colocado nas campanhas das prévias. Era meu nome que estava junto com o do Eduardo [Leite] e eu abri mão para apoiá-lo. Fico feliz que me considerem bom candidato, mas é precipitado.

O sr. acha que o Eduardo Leite é um bom nome para vice?

T.J. – Eu acho que é um ótimo nome.

E para ser candidato a presidente?

T.J. – Não, para ser vice.

Por que o candidato único da terceira via ainda não foi anunciado?

T.J. – O nome do candidato já está na hora de ser apresentado. Eu acho que tem que ser essa semana. O que não pode nem deve ser rompido é a unidade em torno de uma candidatura só.

O PSDB sai mais fraco com essa desistência do Doria e se não tiver um candidato próprio?

T.J. – Não, eu acho que o PSDB sai engrandecido. Isso mostra que é um partido que não tem dono. Por isso as decisões não são fáceis. As decisões são discutidas. Hoje esse tipo de partido está desaparecendo no Brasil. Se você olhar as eleições passadas para cá, os partidos que cresceram são os partidos que têm donatário.








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