ANA LUIZA ALBUQUERQUE E BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa com o presidente Lula (PT) o segundo turno da eleição para a Presidência da República, disse nesta terça-feira (13) que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado na disputa, tinha a expectativa de ser candidato à chefia do Executivo federal.
Tarcísio sempre negou ter essa pretensão, afirmando focar a reeleição. Ainda assim, tinha a preferência do centrão e de empresários para disputar a eleição contra o petista. A expectativa dos aliados do governador foi frustrada, porém, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou o filho como sucessor, no fim do ano passado.
“Assim que o presidente Bolsonaro me passou essa missão, lá em dezembro do ano passado, a primeira coisa que eu fiz foi conversar com meu pai sobre visitar o Tarcísio no Palácio do Bandeirantes, que tinha a expectativa também naquele momento de ser candidato a presidente da República”, afirmou o congressista em evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo, na zona sul da capital paulista.
O senador disse ainda que Tarcísio é um “craque” a quem Bolsonaro deu uma missão, “no início muito louca”. “Alguém que nunca tinha sido candidato a nada, um carioca torcedor do Flamengo, para ser governador de São Paulo. Ele enxergou esse potencial no Tarcísio e hoje todo mundo tem a convicção de que ele estava certo.”
O filho de Bolsonaro disse ainda que está trocando ideias com o senador eleito Guilherme Derrite (PP) sobre a segurança pública. O nome do deputado tem sido aventado para um eventual ministério do candidato do PL.
Flávio afirmou que está “achando que El Salvador é muito pouco”, em referência à nação da América Central que diminuiu os índices de criminalidade, mas que levou milhares de inocentes à cadeia, com relatos de torturas e violações dos direitos humanos.
O senador disse que vai mudar a lei no Congresso, tomado por uma maioria de direita, para que ladrão de celular fique preso por ao menos oito anos, afirmando que ele será obrigado a trabalhar.
A Lei de Execução Penal já prevê que “o condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida de suas aptidões e capacidade”.
Em sua fala, Flávio Bolsonaro também acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), de proteger o governo federal, manipulando pautas da Casa em meio ao período eleitoral. Ele se referia ao fato de que o senador agendou, logo após o primeiro turno, a retomada da discussão sobre o fim da escala 6×1.
Mais cedo, o filho de Jair Bolsonaro participou de um evento que confirmou o apoio à sua candidatura da maioria dos diretórios estaduais do MDB. Dividiram o palco com Flávio o presidente da legenda, Baleia Rossi, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Na ocasião, o senador afirmou que não participará do debate da Band no domingo (18).