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Sob pressão de Doria e Leite, PSDB cogita trocar app para finalizar prévias

Em nota, o partido afirmou que aguarda manifestação da Faurgs empresa contratada para desenvolver o app

Por FolhaPress 22/11/2021 9h11
Foto: Agência Brasil

Danielle Brant e Carolina Linhares
BRASÍLIA, DF

O PSDB decidiu que concluirá a votação das prévias presidenciais entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) até domingo (28) e afirmou que, se o aplicativo contratado não oferecer garantias de viabilidade, pode adotar tecnologia privada para finalizar o processo.

Em uma reunião nesta segunda (22), na sede do partido em Brasília, as campanhas entraram em acordo sobre isso.
Em nota, o partido afirmou que aguarda manifestação da Faurgs (Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul), empresa contratada para desenvolver o app.

“Se, até esta terça (23), ela não oferecer garantias concretas de viabilidade e robustez da solução contratada, o PSDB adotará tecnologia privada para concluir o processo de prévias”, diz. Uma vez escolhido o app, a ideia seria fatiar a votação em mais de um dia –separando a votação de políticos com mandato e, em seguida, de filiados. A retomada da votação poderia ocorrer em até 48 horas.

A causa das falhas no aplicativo não foi identificada ainda –uma das questões é o fluxo de acessos maior do que a ferramenta comporta. A hipótese de um ataque hacker não está descartada. Neste cenário, as campanhas pressionam por ritmos diferentes. Enquanto Doria e Virgílio propõem retomar a votação no próximo domingo, a campanha de Leite quer a retomada mais imediata –na terça (23), ainda que à noite, ou quarta (24). Mas tudo depende da decisão técnica a respeito de qual aplicativo usar.

A avaliação de aliados de Leite é a de que o tempo conta contra o gaúcho, já que a capacidade de mobilização do PSDB de São Paulo é maior. Ou seja, Doria poderia virar mais votos até domingo. Diante do fiasco da votação no domingo, com aplicativo travado desde 8h30 da manhã até o fim do dia, parte dos tucanos ainda vê com ceticismo a hipótese de manter a votação pelo app original, que foi desenvolvido pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs).

Na noite de domingo, Doria e Virgílio defenderam retomar a votação no próximo domingo , enquanto Leite afirmou que a eleição interna deveria ser definida até terça-feira. A opção de Leite, porém, já é considerada inviável na prática.
No domingo, Araújo afirmou que a viabilidade técnica do app, ou seja, o prazo para a correção dos problemas é que será central na definição de novas datas –e não a vontade de cada candidato.

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Para estabelecer esse prazo, várias reuniões entre o partido e as empresas de TI foram marcadas nesta segunda. Aliado de Doria presente nas reuniões, o prefeito de Jundaí, Luiz Fernando Machado, afirmou que o encontro foi harmônico e houve concordância em encerrar a votação até domingo –podendo ser reiniciada durante a semana e finalizada no domingo.

Ao chegar para uma reunião, à tarde, Leite voltou a defender que as prévias sejam retomadas o mais rápido possível –para que todos os filiados votem sob as mesmas condições e o processo tenha legitimidade, segundo ele. “Da nossa parte se retoma assim que tecnicamente for possível. […] Outras pessoas votariam daqui a uma semana ou o tempo que for com outro conjunto de informações, porque ligações começam a ser feitas para os que não votaram por parte das candidaturas, entrevistas começam a ser dadas, acusações começam a ser feitas, ou seja, muda o cenário”, disse.

Leite voltou a afirmar haver acusações de que a campanha de Doria comprou votos e pressionou por votos, inclusive com demissões. Ele nega que sua campanha tenha pedido adiamento das prévias para 2022 após os problemas no aplicativo.

“Nos últimos meses, de forma exaustiva, toda equipe que faz o PSDB preparou com muito carinho e enorme dedicação uma festa para no último domingo escolhermos o primeiro candidato à Presidência com a participação de todos os filiados. É antes de tudo uma aposta na democracia. Eu mesmo, como voluntário do partido, tenho me dedicado integralmente ao projeto”, diz a nota de Araújo divulgada nesta segunda.

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“Lamentamos muito que um problema técnico no aplicativo desenvolvido para as prévias nos obrigou a não concluir uma comemoração que começou bonita pela manhã”, afirma o presidente do PSDB. A ideia de utilizar urnas eletrônicas, defendida por Doria, voltou a ser aventada após o problema com o app, mas é vetada por Leite.

No domingo, o PSDB fez uma votação híbrida. Num evento grandioso em Brasília, feito para anunciar o vencedor, mas que terminou de forma melancólica sem conclusão, puderam votar por meio de urnas eletrônicas os prefeitos e vices, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e vices e os ex-presidentes do partido.

Os filiados sem mandato e os vereadores deveriam votar pelo aplicativo, que não funcionou. A votação, que seria das 7h às 15h, foi ampliada para 18h e acabou suspensa. Outros tucanos do alto clero que não viajaram a Brasília e preferiram votar pela ferramenta online tampouco conseguiram votar.

O embate sobre a utilização exclusiva de urnas esbarra em dois fatores. O primeiro é de ordem prática: a capacidade logística do PSDB de espalhar urnas eletrônicas por todo o país. A ideia foi considerada inviável pelo alto custo. A segunda questão diz respeito à oposição entre Doria e Leite. Enquanto o PSDB de São Paulo, que concentra os tucanos do país e os apoiadores de Doria, tem organização para mobilizar filiados e levá-los até o local de votação, isso não ocorre nos estados aliados a Leite.

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Ao todo, 44,7 mil tucanos (cerca de 3% do 1,3 milhão de filiados) se inscreveram para a votação indireta, em que cada grupo representa 25% da pontuação: filiados; prefeitos e vices; vereadores e deputados estaduais; deputados federais, senadores, governadores e vices, ex-presidentes do PSDB e o atual.

São Paulo, pela concentração de mandatários e filiados cadastrados, larga com 35% de peso nas prévias. Além do Rio Grande do Sul, Leite tem o apoio de estados chave no tucanato, como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O saldo de domingo para o PSDB foi de vexame e mais tensão entre Doria e Leite, que trocaram acusações. Como mostrou o Painel, líderes de partidos da chamada terceira via veem o PSDB em frangalhos –uma união da sigla em torno do vencedor das prévias parece cada vez mais distante.

Araújo informou que de 62% a 65% dos votos, considerando os pesos desiguais dos grupos de votação, foram dados neste domingo, pela urna e aplicativo. Os resultados estão blindados e não serão apurados até que haja a votação complementar.

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Ainda assim, o presidente do PSDB defendeu as prévias como um processo a ser adotado daqui em diante, afirmando que o partido se tornou protagonista no xadrez eleitoral de 2022. Disse ainda que o aplicativo não teve registros de ataques à segurança. Para ele, o aplicativo é a ferramenta que chega ao maior número possível de tucanos. “A ousadia traz preço e risco”, resumiu.

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