Em audiência nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senadores cobraram explicações do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre mudanças de postura da autoridade monetária ao longo das últimas gestões no caso Banco Master.
Parlamentares lembraram que a aquisição do então Banco Máxima, depois rebatizado Master, por Daniel Vorcaro chegou a ser barrada na gestão de Ilan Goldfajn, mas acabou aprovada na presidência de Roberto Campos Neto. Galípolo disse que a negativa inicial ocorreu por dúvidas sobre a origem dos recursos usados na operação e afirmou que, na etapa seguinte, teriam sido apresentados novos recursos financeiros com parecer favorável da área técnica do BC.
O presidente do BC também foi questionado sobre a atuação da sua gestão. Ele informou que, em janeiro de 2025, a instituição passou a considerar “pouco usual” que um banco com dificuldade de liquidez começasse a formar e vender uma carteira de investimentos. Segundo Galípolo, a partir disso foi criado um grupo específico na Diretoria de Fiscalização e teve início a sindicância.
Na sessão, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que o BC enviou, em abril de 2025, um ofício ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pedindo assistência financeira de R$ 11 bilhões para evitar a quebra da instituição. Galípolo respondeu que uma eventual liquidação obrigaria o FGC a arcar integralmente com os depósitos garantidos e disse que o fundo antecipou pagamentos enquanto o BC avaliava alternativas de venda parcial ou total do banco.
Senadores também perguntaram sobre uma reunião com Daniel Vorcaro realizada fora da agenda do presidente Lula, em dezembro passado, no Palácio do Planalto. Galípolo confirmou o encontro e afirmou que Vorcaro relatou um cenário de perseguição por parte de bancos maiores, enquanto Lula teria respondido que o tema seria tratado tecnicamente pelo Banco Central.
Eduardo Braga (MDB-AM) questionou os mecanismos de governança, reputação e fiscalização usados no acompanhamento da transição do Banco Máxima para o Banco Master. Galípolo disse que a instituição recebeu avaliações positivas de agências de risco, auditorias de grandes empresas e pareceres jurídicos favoráveis, mas sustentou que foi a atuação da governança do BC que permitiu identificar irregularidades e encaminhar o caso aos órgãos de investigação.
O presidente do BC voltou ainda a defender a aprovação da PEC 65/2023, que amplia a autonomia financeira e administrativa da instituição. Segundo ele, a autoridade monetária enfrenta dificuldades para competir com a estrutura tecnológica e operacional do sistema financeiro privado e precisa de mais recursos para ampliar a supervisão e a fiscalização.
A discussão sobre o BRB também entrou na audiência. Senadores perguntaram se o BC teria atuado para viabilizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília. De acordo com as investigações citadas na sessão, mesmo sem efetivar a compra planejada de 58% das ações do Master, o BRB adquiriu carteiras de “créditos podres” do banco por R$ 12 bilhões. Galípolo afirmou que o BC está obrigado por lei a preservar sigilos bancário, fiscal e empresarial e sugeriu que os parlamentares consultem o relatório da AudBancos no Tribunal de Contas da União (TCU).
Ao final, Galípolo também foi questionado sobre a proposta do Congresso de delegar ao Legislativo o poder de exonerar o presidente do BC. Ele disse que é importante, para a credibilidade da instituição, que ela não seja arrastada para esse tipo de debate.
Com informações da Agência Senado