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Se Bolsonaro fizer novas motociatas em SP, terá que pagar os custos da segurança, diz Doria

Nós vamos cobrar do presidente da República pela mobilização para passeios de motocicleta. Não é obrigação do governo do estado de São Paulo

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Victoria Damasceno
FolhaPress

O governador João Doria (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (4) que, se o presidente Jair Bolsonaro fizer novas motociatas no estado de São Paulo, será cobrado pelos custos de segurança pública do evento. “Se o presidente Bolsonaro voltar aqui para fazer motociata ele vai ter que pagar. Nós vamos cobrar do presidente da República pela mobilização para passeios de motocicleta. Não é obrigação do governo do estado de São Paulo fazer segurança de motociatas sem que o custo seja suportado por quem as organiza e as promove”, disse.

A última motociata ocorreu no sábado (31) em Presidente Prudente, no interior do estado. A primeira em São Paulo ocorreu na capital paulista, cujos os gastos chegaram a R$ 1,2 milhão com a participação de 1.433 policiais, cinco aeronaves, dez drones e aproximadamente 600 viaturas, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública.

Já em Presidente Prudente, os custos foram superiores a R$ 300 mil. O efetivo foi reforçado com 450 policiais militares, drones e um helicóptero. Segundo o governador, qualquer manifestação que ocorra em áreas autorizadas pela PM, como a avenida Paulista, poderá contar com o apoio das forças de segurança do estado. Fora dessas áreas, não.

“Em locais autorizados para manifestações, seja a favor ou contra Bolsonaro, a favor ou contra vacina, a favor ou contra processo eleitoral, a garantia do estado será dada aos seus participantes para que haja tranquilidade e controle. Fora disso, não. Bolsonaro continua insistindo para fazer aquilo que é inadequado”, disse.

A fala ocorreu durante a entrega de 2 milhões de doses de Coronavac ao Ministério da Saúde, no Instituto Butantan, em São Paulo. Até agora o governo estadual encaminhou 65 milhões das 100 milhões de doses encomendadas pelo governo federal.

Na manifestação deste final de semana no interior de São Paulo, o presidente desrespeitou os protocolos sanitários ao gerar aglomerações e cumprimentar apoiadores sem máscara. O governo do estado declarou que autuou Bolsonaro por não utilizar máscaras pela terceira vez neste sábado. A multa pelo descumprimento da legislação é de R$ 552. Como o presidente é reincidente, pode ser multado em até R$ 290,9 mil.

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Além das edições de Presidente Prudente e São Paulo, foram realizadas outras quatro edições do evento, em Brasília, Rio de Janeiro, Chapecó (SC) e Porto Alegre. O presidente anunciou que a próxima será em Florianópolis, no dia 7 de agosto. Enquanto o presidente comparecia à manifestação, Doria recebeu os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso e as autoridades de países lusófonos, os presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, na reabertura do Museu da Língua Portuguesa. Convidado, Bolsonaro não compareceu.

O museu foi reaberto após um incêndio que ocorreu em dezembro de 2015 e destruiu parte da instituição. A reabertura estava prevista para o ano passado, mas foi adiada devido à pandemia. “Na motociata em Presidente Prudente, [Bolsonaro] poderia ter comparecido à reinauguração do Museu da Língua Portuguesa ao lado dos ex-presidentes da República Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, e dos presidentes de Portugal e do Cabo Verde”, disse Doria. “Ao invés de estar ali representando o governo federal e apoiando a cultura nacional, preferiu fazer motociata e passear de motocicleta em Presidente Prudente.”

Durante a motociata, Bolsonaro voltou a criticar a segurança das eleições no Brasil, afirmando que a democracia só existe com eleições limpas e que não aceitará uma fraude. “Queremos eleições, votar, mas não aceitaremos uma farsa como querem nos impor. O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Jamais temerei alguns homens aqui no Brasil que querem impor sua vontade”, disse.

Doria também criticou os ataques de Bolsonaro às eleições e às urnas eletrônicas, bem como sua campanha para eleições impressas. Ele lembrou que nas eleições presidenciais de 2014, quando Aécio Neves (PSDB) perdeu para Dilma Rousseff (PT), o PSDB pediu a auditoria especial no resultado das eleições.

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No fim do processo de auditoria, porém, o partido afirmou que as urnas eletrônicas eram “inauditáveis”, pois não foi possível ter acesso a todos os níveis de criptografia das máquinas. “Quando Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff, [o PSDB] fez uma auditoria autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Contratou auditores americanos, brasileiros, e não identificou nenhuma possibilidade de violação e erros nos mecanismos que mantêm a urna eletrônica”, disse Doria.






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