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Política & Poder

Primeiro deputado cassado por fake news vai à Câmara junto com filho

Ex-deputado foi eleito pelo Paraná com 53,2 mil votos e terá o filho, Felipe Francischini, como colega de bancada

Redação Jornal de Brasília

07/10/2026 13h35

deputado

Foto: Agência Câmara

CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS

Primeiro parlamentar cassado pela Justiça Eleitoral por espalhar fake news, Fernando Francischini (PL) irá voltar à Câmara dos Deputados em 2027. Ele foi eleito com 53.207 votos no domingo (4), assim como o filho, o deputado federal Felipe Francischini (Pode), que obteve 106.907 votos e conseguiu ser reeleito.

Assim, pai e filho estarão na bancada do Paraná, que tem 30 vagas. Embora hoje estejam em partidos diferentes e tenham feito campanhas independentes, ambos são bolsonaristas e romperam com o grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD), para ajudar na campanha do senador Sergio Moro (PL), eleito governador.

“Meus votos e os dele não se misturam. O dele é mais na segurança pública. O meu é mais municipalista, nos pequenos municípios”, explica Felipe Francischini.

Na Assembleia Legislativa, Moro contará com duas deputadas estaduais ligadas à família Francischini na sua base aliada. A esposa de Fernando, Flávia Francischini (PL), foi reeleita deputada estadual, e Lu Bonatto (Pode), mãe de Felipe Francischini, vai estrear na Assembleia Legislativa. Ela foi eleita com 39.738 votos. Flávia obteve 63.831 votos.

Fernando e Flávia fizeram campanhas conjuntas. E Felipe fez a dobradinha com a mãe, Lu Bonatto.

Nacionalmente, Fernando Francischini se tornou conhecido como o primeiro parlamentar cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no final de 2021, por espalhar fake news. Em 2018, no dia da eleição, ele fez uma live dizendo que duas urnas estavam fraudadas e aparentemente não aceitavam votos no então candidato Jair Bolsonaro, o que não era verdadeiro.

Naquele ano de 2018, Francischini ocupava o cargo de deputado federal, mas concorria a um assento na Assembleia Legislativa. Terminou como candidato mais votado na disputa em seu estado, com mais de 400 mil votos. Mas, em 2021, o plenário do TSE o condenou por uso indevido dos meios de comunicação, além de abuso de poder político e de autoridade, e seu mandato na Assembleia Legislativa foi cassado.

A inelegibilidade de oito anos de Francischini em razão da condenação começou a contar a partir da data do primeiro turno da eleição de 2018 (7 de outubro), seguindo até esta quarta-feira (7).

Pela nova legislação, o que passa a valer para determinar se um candidato pode disputar o pleito é se ele está inelegível ou não na data de diplomação dos candidatos eleitos -que em 2026 deve acontecer até 18 de dezembro.

DOBRADINHAS DE SUCESSO, OU NEM TANTO

Além da família Francischini, outros parlamentares do Paraná, todos filiados a partidos de direita ou do centrão, também fizeram dobradinhas com parentes nestas eleições, algumas repetindo as mesmas configurações de pleitos anteriores.

O deputado federal Ricardo Barros (PP) e sua filha, a deputada estadual Maria Victoria (PP), foram reeleitos domingo. Assim como o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e seu filho Alisson Wandscheer (PP), reeleitos para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente.

Filiados ao PL, o deputado federal Vermelho e o deputado estadual Matheus Vermelho, pai e filho, também foram reeleitos.

O deputado federal Paulo Litro (União) foi reeleito na Câmara e o deputado estadual Adão Litro (PSD), tio de Paulo, foi reeleito na Assembleia Legislativa.

Outras dobradinhas geraram vitórias parciais. A deputada estadual Cristina Silvestri (PP) ficou como suplente na Câmara, mas seu filho Cesar Silvestri (PP), ex-deputado estadual, foi eleito para a Assembleia Legislativa.

A deputada estadual Mabel Canto (PP) foi reeleita, mas seu pai, o ex-deputado estadual Jocelito Canto (PP), ficou como suplente na Câmara.

A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) conseguiu se eleger deputada estadual, mas seu marido, o deputado estadual Delegado Tito Xerifão (PL), ficou apenas como suplente na Câmara.

O ex-vereador de Curitiba Alexandre Leprevost (Republicanos) ficou como suplente de deputado federal, mas o seu irmão, o deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos), foi reeleito.

Também há casos em que a dobradinha saiu integralmente derrotada das urnas.

O ex-deputado federal Alex Canziani (Avante) não conseguiu se eleger deputado estadual e sua filha, a deputada federal Luísa Canziani (União), ficou apenas como suplente na Câmara.

O deputado federal Dilceu Sperafico (PP) ficou como suplente na Câmara e seu filho, Natan Sperafico (PP), como suplente de deputado estadual.

Além disso, o casal Boca Aberta (Republicanos), ex-deputado federal, e Mara Boca Aberta (PL), ex-vereadora de Londrina, não se elegeram para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente.

Além disso, os três principais candidatos ao Governo do Paraná também fizeram dobradinhas com nomes que se inscreveram na disputa à Câmara Federal. O senador e governador eleito Sergio Moro (PL) terá a esposa, Rosângela Moro (PL), na bancada do Paraná na Câmara. Hoje ela é deputada federal por São Paulo.

Familiares dos candidatos a governador Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) não se elegeram. O pai de Requião Filho, o ex-governador e ex-senador Roberto Requião (PDT), não foi eleito. O irmão de Sandro Alex, o deputado estadual Marcelo Rangel (PSD), ficou apenas como suplente na Câmara Federal.

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