Fábio Zanini
FolhaPress
Uma das personalidades mais tietadas no primeiro dia da conferência conservadora Cpac, em Brasília, foi o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. “É o resultado das verdades que eu falo”, disse ele, que costuma investir contra o movimento negro e a “influência esquerdista” na instituição.
Camargo, que foi denunciado por ex-funcionários por assédio moral, perseguição ideológica e discriminação, é mencionado como possível candidato a deputado no ano que vem. Ele diz que essa decisão não será dele. “Depende do que determinar o presidente Bolsonaro.
No início desta semana, Camargo foi alvo do Ministério Público do Trabalho (MPT), que pediu seu afastamento. O presidente é acusado por funcionários de cometer os crimes de assédio moral, discriminação e perseguição ideológica. Relatos de 16 servidores e ex-funcionários da instituição foram revelados no último dia 29 pelo Fantástico, da TV Globo.
Além do afastamento, o MPT quer que o presidente pague indenização no valor de R$ 200 mil por danos morais. Sérgio Camargo é acusado de discriminar servidores por seus cabelos e mandá-los raspar na “máquina zero”. Funcionários dizem ainda que foi instituída uma “caça aos esquerdistas”, momento em que passaram a ser perseguidos por sua ideologia política, o que resultou em humilhações e demissões. Um ex-diretor da Fundação Palmares era chamado de “direita-bundão” por não demitir servidores considerados de esquerda.
Pelo Twitter, Sérgio Camargo reagiu à decisão do MPT, que, na visão dele, “não tem autoridade para investigar servidores ou pessoas em cargos comissionados”. “As acusações partiram de militantes vitimistas e traíras”, declarou.