O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso desde o dia 16 na quarta fase da Operação Compliance Zero, deve solicitar a transferência do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A estratégia da defesa é apresentar ao ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal, a disposição do ex-dirigente em colaborar com as investigações por meio de delação premiada, revelou O Globo. Na manhã desta quarta (22) o Jornal de Brasília través da coluna Bastidores, já dava como certa a delação.
Como já havia sido antecipado, Costa trocou sua defesa, dispensando Cléber Lopes e contratando os criminalistas Eugênio Aragão e Davi Tangerino. A condução da estratégia ficará a cargo de Aragão, que liderará as negociações visando um acordo de colaboração. A primeira reunião com a nova equipe está prevista para esta quinta-feira (23).
O movimento segue o mesmo caminho adotado por Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, que também obteve autorização de Mendonça para deixar a Penitenciária Federal e ser transferido para instalações da PF após sinalizar interesse em delatar. Vorcaro igualmente reformulou sua defesa e passou a ser representado por José Luiz Oliveira Lima.
A defesa de Costa sustenta que a negociação de um acordo não pode ocorrer nas condições da Papuda e exige estrutura semelhante à concedida a Vorcaro. No caso do ex-presidente do BRB, há ainda um fator adicional: o presídio é administrado pelo Governo do Distrito Federal, o que, na avaliação dos advogados, pode representar um obstáculo, sobretudo diante da expectativa de que o ex-governador Ibaneis Rocha seja citado em eventual colaboração. Essa também foi uma das razões para a substituição de Lopes, que atua na defesa de Ibaneis.
A corrida por um acordo de colaboração também envolve disputa de tempo. Segundo fontes próximas à investigação, Costa tenta se antecipar a Vorcaro, já que um eventual acordo firmado primeiro pelo banqueiro pode reduzir o valor das informações oferecidas pelo ex-presidente do BRB às autoridades, como a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Entre os pontos sob apuração está a atuação de Ibaneis no caso, além de transações milionárias entre seu escritório de advocacia e fundos ligados ao ecossistema do Banco Master. O ex-governador nega qualquer irregularidade.
As possíveis delações de Vorcaro e Costa podem detalhar as articulações no Buriti que resultaram na aquisição, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fraudulentas. À época, o negócio foi defendido por Ibaneis como uma oportunidade estratégica para ampliar o alcance do banco e gerar lucros bilionários, chegando a afirmar que a operação colocaria a instituição entre as maiores do país.
Costa é investigado pela Polícia Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sob suspeita de ter recebido propina do Banco Master para viabilizar as operações. As investigações apontam a entrega de seis imóveis de alto padrão — quatro em São Paulo e dois em Brasília — avaliados em R$ 146 milhões. Desse total, R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos, já que o restante teria sido interrompido após Vorcaro tomar conhecimento da apuração sigilosa conduzida pelo Ministério Público Federal.