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Política & Poder

PF rastreia R$ 12 milhões de fraude do Master para filme de Bolsonaro

Depósito contraria versão de Flávio Bolsonaro de que financiamento a “Dark Horse” era “totalmente lícito”.

Redação Jornal de Brasília

23/10/2026 21h15

Cartaz do filme Dark Horse | Reprodução (Instagram)

Cartaz do filme Dark Horse | Reprodução (Instagram)

Um depósito de R$ 12 milhões de uma empresa investigada em fraudes no Banco Master foi usado para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, segundo a Polícia Federal. O repasse foi identificado em um despacho de 15 de outubro e revelado nesta sexta-feira (23).

A descoberta contradiz a afirmação do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência que negociou o financiamento, de que o dinheiro era “totalmente lícito”. A PF rastreou o valor até a conta da empresa intermediária Entre Investimentos, que enviou recursos ao exterior.

Os R$ 12 milhões partiram da Super Empreendimentos, empresa de Fabiano Zettel, cunhado e operador do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a PF, a Super integrava o circuito financeiro fraudulento do Banco Master.

O dinheiro entrou na conta da Entre Investimentos em 12 de fevereiro de 2025, conforme registro em planilha entregue por Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da intermediária. No dia seguinte, foi liquidado o equivalente a R$ 11,7 milhões em câmbio.

A PF considera a sequência compatível com as mensagens em que Vorcaro cobrava a liberação dos recursos para o filme. “Preciso resolver HOJE”, escreveu o banqueiro a Zettel um dia antes do depósito, de acordo com os registros.

A primeira remessa ao exterior, de US$ 2 milhões, ocorreu em 13 de fevereiro de 2025 da conta da Entre para o fundo Havengate Development Fund LP nos Estados Unidos. O delator Mineiro afirmou ter realizado sete repasses ao Havengate, somando US$ 12,3 milhões, a pedido de Zettel e com aval de Vorcaro.

O empresário declarou que os aportes foram custeados por linha de crédito ou caixa próprio. A investigação, porém, identificou que o primeiro deles teve origem no depósito da Super, uma rota diferente da descrita pelo colaborador.

Uma carta-acordo de US$ 24 milhões previa como investidora a Storm Empreendimentos, outra empresa de Zettel. O documento afirmava, em inglês, que “o tempo é essencial para a produção do filme”. Para a PF, a referência indica conhecimento sobre a finalidade dos repasses.

Os contratos de câmbio também usaram uma classificação destinada a empresas do mesmo grupo econômico, incompatível com a condição de simples cotista alegada por Mineiro.

A produtora do filme, Go Up Entertainment LLC, condicionou o fornecimento de documentos à formalização de cooperação jurídica internacional. A PF pretende usar esse instrumento para rastrear a origem e o destino dos recursos.

Os próximos passos da investigação incluem concluir a análise de dados de Zettel e Mineiro, finalizar a perícia contábil da produtora e ouvir os envolvidos. Entre os depoimentos planejados estão os de Zettel, do advogado Paulo Calixto e dos responsáveis pela Go Up.

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