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Política & Poder

Pesquisas que apontam diferenças de intenção de votos resultam em confusão

Arquivo Geral

28/08/2010 12h30

 

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

 

Não é de hoje que as pesquisas de intenção de votos lutam para obter credibilidade. Desde o escândalo Proconsult, em que Leonel Brizola ia sendo garfado na contagem eleitoral – fraude endossada pelas sondagens de boca de urna – para Moreira Franco, em 1982, no Rio de Janeiro, as pesquisas têm dificuldades de serem vistas com seriedade pelo eleitor. Sobretudo quando, entre elas, as discrepâncias saltam aos olhos.

 

Prova mais recente disso é a diferença de resultados da corrida ao GDF entre o Datafolha e o Instituto Soma. Para o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília, existe manipulação em algumas sondagens, o que justificaria resultados tão distintos. Mas há quem credite os altos e baixos dos levantamentos à rápida mudança de opinião do eleitor.

 

Barreto, porém, vai mais longe: o histórico das pesquisas realizadas em outras eleições mostram que os institutos erram e alguns até manipulam resultados. “Os eleitores têm memória dos erros ocorridos em outras eleições. Além disso, sabem também da existência de pesquisas compradas, que mostram um cenário muito diferente da realidade”. 

 

Barreto afirma: a profusão de diferentes resultados coloca em xeque a confiança das pessoas em relação aos levantamentos sobre as reais intenções do cidadão. “O eleitor acaba tendo dúvida em relação a validade dessas sondagens. Podem ser diferenças pequenas, mas não podem ser desconsideradas. Tanto que são usadas pelos candidatos em suas campanhas quando lhes são favoráveis”. 

Nada a se estranhar
Mas o cientista político David Fleisher, colega de Barreto na UnB, vê a questão de outra maneira. Para ele, a diferença dos resultados do Soma e do Datafolha ocorre por conta do apoio do presidente Lula à campanha de Agnelo. Neste caso, nenhum dos institutos perde a credibilidade com o eleitor, pois existe uma explicação.
“Agnelo está crescendo e Roriz está se mantendo. Isso é um fato. Os eleitores estão repensando e mudando seus votos, de acordo com o andar das campanhas”, salienta. 
Já na avaliação do cientista político João Paulo Peixoto, também da UnB, dificilmente as pesquisas apontam diferenças gritantes – como, por exemplo, um percentual de Agnelo maior do que o de Roriz. Portanto, não há nada estranho nos resultados distintos. “Existem diferenças, mas nada de mais. O que estamos acompanhando nessas sondagens são tendências. Por isso a credibilidade dessas empresas não está em jogo”, avalia. 
O diretor de pesquisa do Instituto Soma, Ricardo Penna, explica que há inúmeras diferenças entre uma pesquisa e outra. Conforme salienta, influenciam no resultado a metodologia de cada empresa, as datas em que são feitos os levantamentos, a margem de erro, o questionário e a ordem das perguntas. 
“As diferenças não são enormes. Ninguém disse até agora que Agnelo está na frente ou que vai vencer”. Para Ricardo, outro fato que influencia o resultado das pesquisas é a chamada “margem de erro adicional”, que trata da relação entrevistador/entrevistado. “Isso não é quantificável”. 
Leia mais na edição deste sábado (28) do Jornal de Brasília.

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