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Política & Poder

Nunes Marques reúne campanhas de Lula e Flávio após impasse no TSE

Encontro ocorre após decisões divergentes sobre o canal Exército do Lula e relatório técnico apontar riscos eleitorais na ferramenta.

Redação Jornal de Brasília

12/10/2026 15h55

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, marcou para esta terça-feira (13/10) uma reunião com os coordenadores das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro.

A convocação para o encontro, agendado para as 15h30, ocorre em meio ao vaivém de decisões judiciais na reta final do segundo turno da disputa presidencial. O principal foco do atrito é o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que reúne mais de 3,7 milhões de participantes.

No domingo (11/10), Nunes Marques acolheu representação da campanha de Flávio e mandou suspender a comunidade digital pró-Lula. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou o bloqueio ao considerar as provas insuficientes para justificar restrição integral da plataforma.

Após a decisão de Cueva, Nunes Marques determinou nesta segunda-feira (12/10) que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE analisasse o canal com urgência. Em relatório entregue ao magistrado, a área técnica informou não ter localizado conteúdos falsos alvos de decisões anteriores da Corte durante o mês de outubro.

O parecer técnico alertou, contudo, para riscos eleitorais decorrentes do alcance massivo das mensagens, dos encaminhamentos e do uso de linguagem polarizadora na mobilização de militantes. O documento ressalvou ainda que vídeos compartilhados no canal não foram transcritos devido ao prazo reduzido da análise.

Ao pedir a suspensão do grupo, os advogados de Flávio Bolsonaro alegaram a propagação de mentiras sobre o corte de benefícios sociais, alterações em aposentadorias e a perda do título de padroeira do Brasil por Nossa Senhora Aparecida. Em nota oficial, a campanha do senador criticou as determinações da Corte e apontou complacência com a desinformação.

O presidente Lula, candidato à reeleição, também se manifestou e contestou a atuação inicial do comando da Corte eleitoral. “O que não pode é o presidente da Suprema Corte eleitoral ter lado na política”, afirmou o petista, que defendeu a igualdade de procedimento nos julgamentos do tribunal.

O corregedor Cueva manteve a proibição de compartilhamento de notícias já declaradas inverídicas pela Justiça Eleitoral e encaminhou a controvérsia sobre o canal ao plenário da Corte. O tribunal também registrou outros embates recentes, incluindo decisões do vice-presidente, André Mendonça, que suspendeu impulsionamentos pagos da campanha petista contra Flávio.

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