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Política & Poder

Novo MD pode ser o refúgio para Serra

Arquivo Geral

02/06/2013 11h00

Sai ou fica? Assim como um jogador da seleção que está na reserva ou uma namorada do século passado que espera para decidir com quais dos pretendentes vai ficar (sem saber quem, realmente, está interessado nela), José Serra acompanha os tabuleiros da cena política com uma fila de interlocutores esperando para saber seu destino. 

 

Afinal, ele pode continuar no ninho tucano e apoiar a candidatura de Aécio Neves para a presidência em 2014, sair candidato a governador ou a presidente por alguma outra legenda ou  comporá chapa com o governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, lançando-se para a vice-presidência. 

 

O ex-governador de São Paulo já foi sondado pelo Movimento Democrático (resultado da fusão do PPS e do PMN, que está em vias de formalização), por interlocutores do governador pernambucano e por tucanos com quem trabalhou nos últimos anos – neste último caso, em apelos para que permaneça onde está.

 

À espera do STF

No MD, uma dos organizadores da fusão, deputado Roberto Freire (PE), confirmou que teve um encontro com o ex-governador, mas deixou claro que tudo no MD ainda está no que ele chamou de “compasso de espera”, em razão da consulta feita ao Supremo Federal sobre como ficará a situação dos novos partidos em relação ao tempo para propaganda eleitoral na TV durante as eleições e quanto às verbas do fundo partidário. 

 

“Conversei com Serra sim, mas não houve novidade quanto a isso. Conosco está tudo ainda incerto, até mesmo em relação às filiações de deputados e de muitos vereadores em todo o país”, afirmou Freire, em tom diplomático, mas dando a entender que o ex-ministro e ex-governador seria bem acolhido. 

 

Caminho para Campos

Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) não apenas entrou em contato com José Serra no final de abril. Hoje composto com Eduardo Campos, pode ajudar em eventual transferência para o PSB . “Serra é um dos grandes quadros da política brasileira. Se ele se ajusta diante do PSDB e passa a ser ouvido e a ser uma voz dentro do partido não cabe a mim tentar puxá-lo, destacou.

 

Campos pode se beneficiar com escolha

A intenção inicial do grupo que trabalha para a candidatura de Eduardo Campos para a presidência em 2014 é de que, se Serra optar por uma candidatura ao governo de São Paulo, migrando para o futuro partido MD pode vir a apoiar a candidatura do governador pernambucano. Numa hipótese mais remota, ele pode até mesmo sair como vice de Campos.

 

Para o deputado Mendes Thame (SP), que sempre foi aliado de primeira hora do ex-governador, o fato de Serra ser mencionado por outras legendas é reflexo da sua relevância no cenário nacional. “Se ele está sendo cogitado por estas pessoas é porque já prestou muitos serviços ao país, todos sabem disso e, sem dúvida, seu apoio ainda será muito procurado até que se configure o cenário político para 2014”, disse o deputado.

 

Segundo um parlamentar do PSD que não quis se identificar, as duas hipóteses (candidatura majoritária ou vice) de José Serra precisam ser bastante pesadas pelos adversários. “O PSD não vai se meter mais nisso e dar um tiro no próprio pé, principalmente agora que tem um dos seus integrantes no governo. Seu nome tem peso, pode atrapalhar os planos de candidatos como Aécio Neves e Marina Silva e embolar o meio de campo num 2º turno”, conjecturou.

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