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Política & Poder

Moraes diz que ‘políticos que não têm voto’ usam STF como ‘escada eleitoral’

As declarações foram feitas durante julgamento na Primeira Turma do STF envolvendo de denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer

Redação Jornal de Brasília

28/04/2026 16h09

Foto: Victor Piemonte/STF

Foto: Victor Piemonte/STF

São Paulo, 28 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou nesta terça-feira, 28, o que classificou como o uso da Corte por políticos como “escada eleitoral” para ampliar a visibilidade nas redes sociais. “Querem likes”, disse.

As declarações foram feitas durante julgamento na Primeira Turma do STF envolvendo de denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) contra o também deputado federal José Nelto (União Brasil-GO), acusado de injúria e calúnia.

Segundo Moraes, parlamentares de diferentes espectros ideológicos têm adotado uma estratégia de confronto público com o objetivo de gerar engajamento para campanha eleitoral. “Cada um repercute nas suas redes sociais, cada um tem muitos likes e conseguem elevar o conhecimento público a seus nomes”, afirmou o ministro.

Para o ministro, essa prática passou a atingir diretamente o Supremo e seus integrantes. “Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem, acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral”, declarou, citando que pesquisas da semana para sugerir que a estratégia não está dando certo.

As críticas ocorrem em meio a episódios recentes envolvendo pré-candidatos à eleição de 2026. Na última semana, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou um vídeo com críticas, em tom de sátira, à atuação do ministro Gilmar Mendes. O caso levou Mendes a enviar uma notícia-crime com pedido de inclusão de Zema no inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes.

Sem citar nomes, o ministro afirmou que a estratégia tem substituído o debate sobre políticas públicas. “Ao invés de discutir saúde, educação, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais”, disse.

Na avaliação de Moraes, esse tipo de conduta extrapola o embate político e poderia, em outros contextos, ser enquadrado como “assédio moral”.

As críticas a Moraes se ampliaram desde que foi relevado um contrato do escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, revelado pela colunista Malu Gaspar, no jornal “O Globo”. Além disso, ela revelou mensagens de Daniel Vorcaro trocadas com Moraes no dia da prisão do ex-banqueiro.

Estadão Conteúdo

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