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Política & Poder

Marketing de Vorcaro sugeriu adiar evento com Moraes após Magnitsky: ‘Vivi vai consultar Alexandre’

O evento seria realizado em agosto de 2025, mas acabou sendo cancelado após o receio de que as sanções dos EUA também atingissem os organizadores do evento

Redação Jornal de Brasília

16/10/2026 6h12

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Ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Uma produtora dos eventos de Daniel Vorcaro sugeriu ao banqueiro adiar um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após o anúncio de sanções da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos contra o magistrado.

O evento seria realizado em agosto de 2025, mas acabou sendo cancelado após o receio de que as sanções dos EUA também atingissem os organizadores do evento. Procurados, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, não se manifestaram.

Como mostrou a Coluna do Estadão, mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro apontam que Moraes coordenava eventos privados com autoridades organizados pelo banqueiro no exterior. O ministro Moraes mandava convites e vetava convidados.

Nos diálogos, Ana Matos – que foi superintendente de Comunicação e Marketing do Master de janeiro de 2023 a dezembro de 2025 – relatou a Vorcaro em 22 de julho de 2025 que estava definindo a programação do fórum com o ministro Alexandre e a mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes. Ela afirmou, no entanto, que temia que a realização do evento provocasse desgaste ao Banco Master e atrapalhasse a operação de venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).

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“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom. Vou te mandar. Vc na abertura e encerramento. Eles vão querer divulgar aos convidados. Eu disse que precisava falar com vc antes. Meu receio eh atrapalhar BRB”, afirmou.

Vorcaro, então, pediu que seu nome fosse retirado do evento e que a divulgação fosse adiada. A solução que eles discutem seria deixar apenas o nome do Grupo Voto, que aparecia como responsável pela organização, e o escritório de Walfrido Warde, advogado de Vorcaro.

“Acho que pode ser a melhor saída. Tirar seu nome e deixar ela e o Voto enviarem a programação. O voto pode divulgar que o patrocinador é o escritório de advocacia Warde”, disse Ana Matos.

No dia 30 de julho, quando Donald Trump anunciou as sanções da Magnitsky, os diálogos demonstram uma tensão com a realização desse evento.

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Às 9h51, Ana Matos disse a Vorcaro que estava com Viviane Barci e que Moraes estava “ligando muitas vezes ao dia”. Um dia depois, Ana Matos relata preocupação de que outros ministros iriam cancelar a participação no evento por causa disso. Leia os diálogos:

Moraes foi alvo de sanções do governo Trump em um contexto de pressão das autoridades americanas para que ele recuasse no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado. A gestão Trump disse que Moraes promovia uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores, conforme declarou o próprio presidente dos Estados Unidos.

A lei Magnitsky impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos, além de proibir a entrada no país. A decisão do governo norte-americano bloqueou contas bancárias e travou o acesso do ministro ao sistema financeiro dos Estados Unidos, impedindo que ele acessasse eventuais ativos que tivesse em território norte-americano.

Moraes e Viviane foram retirados da lista de sancionados pela Magnitsky em 12 de dezembro de 2024.

Consultas e contratos milionários

Segundo investigações da PF, Vorcaro consultou Moraes sobre uma possível fuga do País e solicitou a interferência do ministro com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para barrar o avanço das investigações sobre os negócios fraudulentos do banco.

Como revelou o Estadão, o ministro editou o contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.

A PF encontrou ainda um segundo contrato do banqueiro com o escritório da advogada, no valor de R$ 50 milhões. O pagamento foi feito por meio da transferência de cotas de duas aeronaves dele, em uma espécie de sociedade oculta, apontam os diálogos.

Moraes afirmou ser alvo de uma “farsa montada”, negou a troca de mensagens com o banqueiro e disse que há “motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”.

Estadão Conteúdo

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