Ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos (PT) descreveu como “equívoco estratégico” a decisão do PT de lançar candidato próprio a governador de Minas Gerais. A escolha foi reforçada após uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com deputados petistas na quarta-feira, 24.
Marília é o nome preferido de Lula para liderar a chapa petista no segundo maior colégio eleitoral do País. O resultado do encontro em Brasília, do qual a ex-prefeita não participou, aumentou a pressão para que ela aceite trocar a pré-candidatura ao Senado para disputar o Palácio Tiradentes, dando palanque para a tentativa de reeleição do presidente.
A petista, no entanto, indicou que não pretende ceder. Em nota divulgada à imprensa nesta quinta-feira, 25, Marília disse que sua “única disponibilidade” é concorrer ao Senado e que “este é o palanque petista que poderá sustentar a reeleição de Lula”. A ex-prefeita afirmou ainda que sua pré-candidatura à senadora tem “força real”, e, se bem-sucedida, aumentará a presença feminina e reforçará a base de apoio ao presidente no Congresso.
“Embora legítima do ponto de vista partidário, ela [candidatura própria] representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado”, disse Marília.
“A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula”, acrescentou Marília.
Ela declarou que as pesquisas eleitorais mostram que o campo progressista ainda não conseguiu consolidar uma candidatura competitiva ao Executivo mineiro. Para ela, em vez de ter candidatura própria, o melhor caminho seria o PT liderar a construção de uma “aliança ampla e competitiva”, que reuniria também PCdoB, PV, PSB, MDB, REDE, PSOL e PDT.
O pano de fundo da estratégia defendida pela ex-prefeita é a percepção de que pesaria sobre qualquer candidato PT a governador o desgaste causado pela gestão de Fernando Pimentel (PT). Último petista a governar Minas, o governo dele, encerrado em 2018, atrasou salários dos servidores públicos e repasses às prefeituras.
Marília já havia dado sinais de descontentamento na semana passada quando faltou a dois eventos com a presença de Lula em Belo Horizonte (MG) e Divinópolis (MG). Ela justificou que estava focada na pré-campanha ao Senado e cumpria agenda em outra região de Minas.
Naquele momento, já circulava a informação de que o presidente gostaria que ela concorresse ao Executivo. Por isso, a ausência foi interpretada como um recado de que ela estava incomodada com essa movimentação.
O impasse sobre a chapa de Lula em Minas se consolidou após o senador Rodrigo Pacheco (PSB) recusar o convite do presidente para se candidatar a governador. Também houve uma tentativa de reaproximação com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que foi o palanque de Lula em 2022, mas as conversas não avançaram.
Recentemente, Marília se aproximou do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). Pré-candidato a governador, o emedebista sofre resistência de deputados petistas porque iniciou a trajetória política no PSDB, quando os tucanos tinham Aécio Neves (PSDB), e por ter sido favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Estadão Conteúdo.