Millena Lopes
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Quando a reconstrução do Estádio Nacional de Brasília foi anunciada, um dos diferenciais da obra seria a instalação de um moderno sistema de captação de água da chuva. No mês de maio, no entanto, com o Mané Garrincha mais vazio que nunca, a Terracap foi surpreendida com uma conta de água de R$ 2.266.757,00. Depois de fazer – e refazer – testes para verificação de vazamentos, a Caesb foi acionada para que revise o valor, que, “claro”, segundo o diretor técnico Carlos Leal, não foi pago.
“Assim que a Terracap recebeu essa conta, no mês de junho, com esse valor exorbitante, nós fizemos todas as verificações e testes para identificar vazamentos no estádio, mas não detectamos nada de irregular, que pudesse justificar o consumo ter saído da nossa média”, explica Leal, ao citar que a conta é 67 vezes maior que a média mensal. O valor, segundo ele, é correspondente a um consumo de mais de cinco anos.
Um erro de leitura do consumo – ou até mesmo de digitação – é cogitado pela empresa pública, que solicitou à Caesb uma auditoria na conta. “Um consumo como este deveria causar, no mínimo, alguma tragédia aqui no estádio”, pontua Lelal, para quem um provável vazamento causaria uma inundação sem precedente no Mané. “Seria um vazamento que inundaria áreas do estádio por vários dias”, ele diz.
A Caesb, que ainda não enviou à Terracap o relatório solicitado, prometeu fazê-lo ainda nesta semana. “A única hipótese que, no nosso entendimento, resta é na apuração do registro do consumo pelo hidrômetro do estádio”, explicou o representante da empresa pública. Só com o resultado da auditoria, ele disse, é que será possível tomar providências. A conta não foi paga, ele reiterou.
Testes
Depois de um minucioso teste visual em todas as dependências do estádio, Carlos Leal diz que não foram identificados vazamentos. Em seguida, todos as torneiras e saída de água foram desligadas para verificação do hidrômetro, que também paralisou a contagem. “Os testes não sinalizam que existam problemas”, reiterou.
Ao ser lembrado que o estádio faz captação de água da chuva, Leal concordou e assinalou que a população sabe que não há a realização de jogos na estrutura e que os vigilantes que trabalham no local se ocupam de verificar diariamente os reservatórios de água do local. As caixas d`água, segundo ele, são abastecidas manualmente, a fim de evitar vazamentos ou desperdícios.
Serviços
Em abril deste ano, o Mané Garrincha pagou R$ 37,1 mil na conta de água.
Em maio, o valor foi de R$ 37,4 mil.
Em junho, a conta passou de R$ 2,2 milhões.
Em julho, o valor ficou na média de R$ 37 mil.
Meio milhão por mês
Normalmente, as despesas com a manutenção do Estádio Nacional são da ordem de R$ 500 mil por mês, contando contas de água e luz, vigilância terceirizada, brigada de incêndio e manutenção de elevadores e do gramado.
O último jogo de futebol realizado na arena, que foi totalmente reconstruída para a Copa do Mundo de 2014, foi em 6 de maio deste ano, na final do Campeonato Candango, disputado por Brasiliense e Ceilândia. Mas o último grande jogo foi em março deste ano, quando Flamengo e Vasco fizeram uma partida no segundo turno do Campeonato Carioca.
Outros eventos culturais, no entanto, são realizados no local, como festas e grandes shows. Conforme a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer, durante o mês de maio, o Mané Garrincha foi palco de quatro eventos.