VICTOR HALLACK E GABRIEL ARAÚJO
FOLHAPRESS
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, usou a promulgação do fim da escala 6×1 como trunfo de campanha contra o adversário Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (16), durante comício em Juiz de Fora (MG), na zona da mata mineira.
“Se a gente errar no voto, os bolsonaristas vão acabar e voltar com a escala. Portanto, é importante a gente ter claro: nós não podemos confiar neles”, disse o petista.
O presidente ainda se dirigiu aos comerciários da região, afirmando que o fim da escala não vai acarretar prejuízo para a classe. “Quem vai ganhar é o Brasil, o povo trabalhador e as mulheres que vão ter dois dias pra descansar e cuidar da família.”
Lula fez acenos ao eleitorado com mais de 70 anos e às pessoas que se abstiveram do voto, dizendo ser necessário fazer uma mobilização para impedir o retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
“Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, e destruir é muito fácil. Vocês sabem o que a família Bolsonaro fez no país”, afirmou, culpando a gestão anterior pela formação de uma quadrilha no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), “que nós prendemos”, e pelos escândalos relacionados ao Banco Master.
No discurso, Lula ignorou as investigações que hoje envolvem a lobista Roberta Luchsinger e outros aliados, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e o ex-chefe de seu gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Ao fim do comício, Lula ainda se dirigiu a Cleitinho (Republicanos), governador eleito em Minas Gerais no primeiro turno.
“O Cleitinho é o governador do povo mineiro, e ele tem que saber que a única chance que ele tem de recuperar esse estado que o [Romeu] Zema (Novo) estragou é comigo ganhando as eleições”, disse, afirmando que o estado se tornaria um “cemitério de obras paralisadas” sob um eventual governo de Flávio.
“Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, ele só tem que ficar quietinho porque ele só tem a ganhar no final das eleições”, afirmou.
O governador eleito havia confirmado presença no “Bloco do 22” realizado com a presença de Flávio em Capelinha (MG), no Vale do Jequitinhonha, na noite desta quinta-feira (15), mas faltou ao evento alegando ter sofrido um pico de pressão arterial durante um discurso emotivo feito, durante a tarde, no plenário do Senado.
A assessoria do governador informou o adiamento de suas agendas públicas nesta sexta-feira e disse que ele segue em repouso preventivo e sob acompanhamento médico.
No ato em Juiz de Fora, Lula foi recebido por políticos locais, como a prefeita Margarida Salomão (PT-MG) e a deputada federal eleita Ana Pimentel (PT-MG), e por milhares de apoiadores que se concentraram desde a manhã no centro da cidade.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), coordenador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, também estava presente, assim como a primeira-dama Janja e os senadores eleitos Rui Costa (PT-BA) e Marília Campos (PT-MG), ex-prefeita de Contagem.
A caminhada, prevista para as 12h, começou apenas por volta das 14h. O público lotou a praça Riani, local de início do ato, mesmo sob chuva, e seguiu até a praça Prefeito Tarcísio Delgado pela avenida Getúlio Vargas, uma das principais vias do município.
Lula costuma ter bom desempenho na cidade, a única entre os dez maiores colégios eleitorais mineiros que deu vantagem ao presidente nas eleições deste ano em primeiro turno. O petista conquistou 49,58% dos votos válidos frente aos 41,53% marcados por Flávio Bolsonaro (PL).
No segundo turno das eleições de 2022, o atual presidente venceu na cidade com 56,09% dos votos válidos, ante 43,91% de Jair Bolsonaro. O resultado é significativamente menor do que a votação registrada a favor do petista no segundo turno das eleições de 2002 e de 2006, nas quais ele obteve, respectivamente, 83,36% e 72,94% dos votos válidos.
A última pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15) aponta empate técnico na disputa presidencial: Flávio com 51% em votos válidos, contra 49% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O instituto ouviu 2.520 eleitores de terça (13) a quarta-feira (14) em 153 municípios brasileiros. A pesquisa, contratada pela Folha, está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-00466/2026.
Lula usa fim da 6×1 contra Flávio Bolsonaro durante campanha em MG e dá recado a Cleitinho
Presidente ainda se dirigiu aos comerciários da região, afirmando que o fim da escala não vai acarretar prejuízo para a classe
Foto: Reprodução/ X @LulaOficial/ Ricardo Stuckert