O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu neste sábado (23) as críticas do candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre gastos públicos e endividamento no debate presidencial da TV Globo. O senador afirmou que a dívida pública atingiu R$ 11 trilhões e associou o número ao governo Lula.
Em resposta, Lula questionou a autonomia do Banco Central, aprovada no governo de Jair Bolsonaro. O presidente deslocou o foco da discussão para a política monetária e indagou Flávio: “Ao invés de perguntar para mim, responde por que vocês fizeram o Banco Central independente?”.
Flávio Bolsonaro defendeu a medida como um legado de seu pai, declarando que ela impediria que administrações como a de Lula aumentassem o endividamento. O senador disse que a taxa básica de juros deveria estar em 7% ao ano e prometeu implantar um programa de compra e refinanciamento de dívidas para pessoas físicas e empresas.
Lula afirmou, porém, que proposta similar já foi enviada por seu governo ao Congresso. Ele declarou que o projeto prevê a aquisição de débitos com descontos que podem alcançar 95% do valor original. “Quando ele diz que vai comprar a dívida dos devedores, está copiando algo que já mandei ao Senado”, disse o presidente.
A medida visa a renegociar as dívidas em condições mais favoráveis. O petista também citou medidas de redução de débitos voltadas a microempreendedores individuais.
Ao falar sobre as proposições de ajuste fiscal do rival, Lula criticou o que chamou de “tesouraço”. “Toda vez que a economia não cresce, aparece alguém para propor tesouraço”, afirmou. Ele defendeu a expansão do crédito como estímulo ao consumo e ao investimento.
O embate sobre a dívida pública dominou parte do debate e ocorre a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Lula recebeu o governo com a taxa de juros em cerca de 13% ao ano, patamar que classificou como semelhante ao atual.