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Política & Poder

Lula empata com Flávio antes de caso ‘Dark Horse’ e abre vantagem sobre Zema e Caiado, aponta Datafolha

A pesquisa mostra Lula e Flávio empatados com 45% das intenções de voto cada um na simulação de segundo turno

Redação Jornal de Brasília

16/05/2026 12h43

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Foto: EVARISTO SA / AFP

ANA LUIZA ALBUQUERQUE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente Lula (PT) seguia empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na simulação de segundo turno das eleições presidenciais até a divulgação de conversas entre o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mostra pesquisa Datafolha.

O levantamento foi realizado na terça (12) e na quarta-feira (13). A maioria das entrevistas foi feita antes da revelação, pelo site Intercept Brasil, das conversas entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master.

A pesquisa mostra Lula e Flávio empatados com 45% das intenções de voto cada um na simulação de segundo turno. Outros 9% dizem que votariam em branco ou nulo, e 1% afirma que não sabe.

O Datafolha realizou 2.004 entrevistas com a população brasileira de 16 anos ou mais, em todo o Brasil, em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.

O levantamento aponta que o petista abriu vantagem sobre os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Na disputa direta com Zema, Lula aparece com 46% das intenções de voto, frente a 40% do ex-governador de Minas Gerais.

Contra Caiado, o petista marca 46%, ante 39% do ex-governador de Goiás. Em ambos os casos, 13% dos eleitores dizem que votariam em branco, e 2%, que não sabem.

No levantamento anterior, em abril, Lula estava em empate técnico com Flávio, Zema e Caiado na simulação de segundo turno.

O último mês foi marcado por iniciativas de apelo eleitoral do presidente, como a revogação da “taxa das blusinhas” e a medida provisória para conter o aumento do preço da gasolina. O petista também sofreu um revés histórico com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), na primeira reprovação de um nome para a corte desde 1894.

Flávio, por sua vez, associou a derrota a uma suposta fraqueza do governo e obteve outra vitória política com a derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria, abrindo caminho para a redução de penas de seu pai. A sucessão de boas notícias foi interrompida pelo caso “Dark Horse”.

Zema, por sua vez, centrou suas falas em críticas aos ministros do STF, o que o fez virar alvo de acusação da Procuradoria-Geral da República.

PRIMEIRO TURNO

Na pesquisa desta semana, no cenário estimulado de primeiro turno, o presidente aparece com 38% dos votos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, Zema e Caiado, com 3%, Renan Santos (Missão), com 2%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%. Outros 9% afirmam que votarão branco ou nulo e, 3%, dizem que não sabem.

Em outra hipótese de primeiro turno, com Ciro Gomes (PSDB) na disputa, Lula registra 37%, empatado tecnicamente com Flávio, com 34%. O tucano aparece com 5% das intenções de voto, enquanto Zema tem 4%, e Caiado, Renan Santos e Augusto Cury (Avante) têm 2% cada. Ciro Gomes já afirmou, entretanto, que não pretende concorrer ao Palácio do Planalto —ele é pré-candidato ao Governo do Ceará.

Na pergunta espontânea, quando o instituto não apresenta o nome dos candidatos, Lula tem larga vantagem, com 27% das menções. Flávio aparece depois, com 18%, seguido pelo inelegível Jair Bolsonaro, com 3%, e Caiado, com 1%. Nesse cenário, 3 9% afirmam que não sabem em quem pretendem votar.

Lula e Flávio lideram a corrida eleitoral com altas taxas de conhecimento e de rejeição. Apenas 1% diz não conhecer o petista, e 5% afirmam não conhecer o filho de Bolsonaro.

Entre os entrevistados, 47% dizem que não votariam no atual presidente de jeito nenhum no primeiro turno, enquanto 43% rejeitam Flávio. As porcentagens seguem estáveis: eram de 48% e 46%, respectivamente, em abril.

Zema e Caiado apresentam índices similares. O primeiro tem 15% de rejeição e é desconhecido por 54% dos eleitores. Já o ex-governador de Goiás é rejeitado por 13% e desconhecido por 53%.

RECORTES

O Datafolha perguntou a cada entrevistado em qual número ele se encaixa, considerando uma escala de 1 a 5, em que 1 é bolsonarista e 5, petista. Assim, o eleitor que se identifica como o número 3 não está alinhado a nenhum dos polos.

Num cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, 38% desses eleitores independentes afirmam que votariam no filho de Bolsonaro, e 32%, no presidente, situação de empate técnico, uma vez que a margem de erro nesse grupo é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos. Outros 27% dizem que votariam em branco ou nulo.

Os números indicam tendência de queda para o petista entre esses eleitores, que, segundo analistas, devem ser decisivos em meio a uma eleição acirrada e polarizada.

Em abril, Lula tinha 42% das intenções de voto entre os entrevistados desassociados do bolsonarismo e do petismo, e Flávio, 36%. Outros 19% diziam que votariam nulo ou em branco.

No levantamento desta semana, o perfil do eleitorado se mantém similar ao encontrado nas pesquisas anteriores.

Em um segundo turno com Lula, Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre os homens (50%), eleitores de 25 a 34 anos (50%), entre os que têm ensino superior (51%), entre os que ganham mais de dez salários mínimos (58%), entre os empresários (71%), entre os evangélicos (61%) e entre os moradores da região Sul (59%).

No mesmo embate, Lula vai melhor entre as mulheres (48%), entre os eleitores com 60 anos ou mais (52%), entre os eleitores que completaram o ensino fundamental (57%), entre os que ganham até dois salários mínimos (52%), entre os estudantes (64%), entre os que moram na região Nordeste (60%), entre os pretos (59%) e entre os católicos (54%).

Os resultados de uma pesquisa eleitoral não são prognósticos, ou seja, não pretendem antecipar o que sairá das urnas. Eles formam um retrato da opinião dos entrevistados no momento em que os pesquisadores foram a campo. As entrevistas são feitas presencialmente, em pontos de fluxo nas ruas, e seguem critérios estatísticos para que a amostra represente o conjunto da população.

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