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Lula diz que América do Sul ‘não precisa de confusão’ ao comentar plebiscito na Venezuela

Petista afirma esperar ‘bom senso’ ante disputa por Essequibo, na Guiana, tema de consulta popular convocada por Caracas

Foto: AFP

IVAN FINOTTI

DUBAI, EMIRADOS ÁRABES (FOLHAPRESS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em entrevista a jornalistas às margens da COP28, em Dubai, esperar “bom senso” em relação à reivindicação da Venezuela pelo território de Essequibo, rico em petróleo, na Guiana. O assunto é tema de uma consulta popular realizada por Caracas neste domingo (3).

“Conversei por telefone com o presidente da Guiana duas vezes. O Celso [Amorim, assessor especial da Presidência] já foi à Venezuela conversar com o [Nicolás] Maduro, ditador da Venezuela]. Tem um referendo, que provavelmente vai dar o que o Maduro quer, porque é um chamamento ao povo para aumentar aquilo que ele entende que seja o território dele. E ele não acata o acordo que o Brasil já acatou”, afirmou o petista.

Os venezuelanos alegam que a área de 160 mil km² (pouco maior que o Acre) é parte do seu território. A pauta histórica une os venezuelanos há mais de cem anos, razão pela qual a expectativa é de que o “sim” ganhe por ampla maioria.

O acordo a que Lula se refere é o Acordo de Genebra, de 1966, resultado de uma campanha de Caracas iniciada nos anos 1940 denunciando um laudo internacional decretou que a região integrava a então Guiana Britânica como fraudulento.

Ao contrário do que diz a propaganda da ditadura, ele não decreta que o laudo anterior era uma fraude, mas aceitava a queixa venezuelana e a promessa britânica de negociar os limites territoriais. Meses depois de sua assinatura, porém, a Guiana tornou-se independente, arrastando as negociações. O conflito foi então congelado de 1970 a 1982, quando a Venezuela resolveu renegar o acordo em curso e voltar para os termos de 1966. O caso acabou remetido para a ONU (Organização das Nações Unidas).

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Na sexta-feira (1º), juízes da Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, disseram que a Venezuela deve se abster de qualquer ação que altere o status da região. O tribunal não recomendou, porém, a suspensão do plebiscito, como desejava Georgetown.

“Só tem uma coisa que a América do Sul não está precisando agora: confusão. Se tem uma coisa que precisamos para crescer e melhorar a vida do nosso povo é a gente baixar o facho, trabalhar com muita disposição de melhorar a vida do povo e não ficar pensando em briga. Não ficar inventando história. Espero que o bom senso prevaleça do lado da Venezuela e do lado da Guiana.”

Para o petista, a situação representa um problema político. Ele é defensor da ditadura chavista de Maduro, que considera um regime democrático apesar dos controles sobre Judiciário e Legislativo que a tornaram na prática um Estado autoritário pleno, em 2017, e chegou a receber o venezuelano em Brasília este ano.

Além disso, um eventual ataque poderia envolver as fronteiras brasileiras, dada a impossibilidade de um ataque terrestre a Essequibo. Dada a instabilidade, o Ministério da Defesa anunciou o reforço de sua fronteira norte.

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A visão majoritária entre diplomatas, contudo, é de é improvável que o regime se utilize da consulta para empreender alguma ação militar efetiva. O plebiscito tem sido visto como uma estratégia de Maduro para tirar o foco da crise econômica local e ganhar apoio entre a população por meio de um tema quase unânime na sociedade venezuelana.






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