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Política & Poder

Lula chama antigo rompimento com Alcolumbre de ‘futrica’ e diz que autoritarismo ameaça a democracia

Lula minimizou os conflitos e afirmou na promulgação da PEC que as discordâncias entre os presidentes de Poderes são naturais

Redação Jornal de Brasília

16/10/2026 13h18

lula e alcolumbre

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

FERNANDA BRIGATTI, AUGUSTO TENÓRIO E CAIO SPECHOTO
FOLHAPRESS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou nesta sexta-feira (16) o período em que ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), entraram em conflito neste ano. Eles passaram cerca de quatro meses rompidos após a Casa rejeitar, com patrocínio do amapaense, a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), numa derrota histórica para o Planalto.

“Outro dia parecia que eu e vocês éramos dois inimigos. De vez em quando tem uma futrica colocando a inimizade entre o presidente da República, deputado, senador. Isso é uma bobagem. […] Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês não pudessem divergir de mim, se eu fosse autoritário e vocês fossem autoritários, a democracia estava jogada no lixo”, afirmou Lula. A fala reverbera o discurso do PT, de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) é autoritário.

O petista discursou durante a cerimônia de promulgação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Lula estava no Senado ao lado de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ambos estão ameaçados em seus cargos pelo avanço do PL no Congresso, que elegeu as maiores bancadas de deputados e senadores.

O presidente Lula também já rompeu relações com Hugo Motta. O Planalto e a Câmara entraram em guerra no ano passado devido às derrubadas do decreto de reajuste do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e de uma MP (Medida Provisória) com aumento de impostos.

A relação com Motta foi retomada ainda em 2025, o que facilitou a articulação do Planalto para aprovar o fim da escala 6×1 na Câmara. Os deputados votaram em maio a proposta, e Alcolumbre segurou o texto no Senado. Foi somente em agosto, com a retomada da relação com Lula, que Alcolumbre passou a sinalizar que poderia destravá-la. Ela foi aprovada em plenário na quarta-feira (14).

Lula minimizou os conflitos e afirmou na promulgação da PEC que as discordâncias entre os presidentes de Poderes são naturais. Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês não pudessem divergir de mim, se eu fosse autoritário e vocês fossem autoritários, a democracia estava jogada no lixo”, afirmou o petista.

O presidente ainda fez uma menção indireta ao resultado do primeiro turno. O PL, partido do seu adversário, Flávio Bolsonaro, conquistou as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado. Nos bastidores, o candidato do PL tem apontado que seria o único com condições de governabilidade.

“Quando a gente vai governar, governa com as instituições existentes. (…) Todo o mundo fica assustado quando eu viajo e falo que sou presidente de um país em que o meu partido só tem 70 deputados em 513 e só 9 senadores em 81. E nós aprovamos tudo o que a gente quis aprovar, inclusive uma reforma tributária que há 40 anos se tentava”, afirmou Lula.

O presidente finalizou agradecendo a Motta e Alcolumbre pela aprovação do fim da escala 6×1 e da aposentadoria especial para agentes de saúde, também promulgada nesta sexta: “Quero parabenizar o Congresso Nacional, Senado e Câmara, por estes dois presentes que deram ao povo brasileiro, que brigou muito, e dizer ao povo: vocês colocaram duas páginas importantes na nossa nova Constituição”.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, há uma crise contratada para a sucessão de Motta e Alcolumbre. O PL, ao conquistar as maiores bancadas, articula para assumir o controle de pelo menos uma das casas, preferencialmente o Senado.

O grupo quer promover o impeachment de ministros do STF, e para isso depende do despacho do presidente do Senado. Nesse sentido, o partido trabalha o nome do coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), para chefiar a Casa a partir de fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares assumem mandato.

Na Câmara, a situação é mais favorável a Motta. O deputado angariou apoio dos partidos do centrão, seu grupo político, e na próxima semana deve receber o apoio dos partidos da base do governo Lula. Isso daria a ele os votos necessários para permanecer no cargo por mais dois anos.

Para o governo Lula, é importante manter Motta e Alcolumbre nas presidências da Câmara e do Senado.

Se reeleito, o petista contará com aliados nos comandos da Casas. Se derrotado, o PT quer garantir que Flávio Bolsonaro não tenha vida fácil no Congresso.

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