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Lula aconselha Ortega, ditador da Nicarágua, a não ‘abrir mão da democracia’

O país terá eleições presidenciais em novembro, mas a oposição e órgãos internacionais denunciam que o pleito não será justo se não houver mudanças

Por Geovanna Bispo 03/08/2021 6h59
Foto: Lula

Patrícia Campos Mello
FolhaPress

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, a “não abrir mão” da democracia, em entrevista à TV mexicana na semana passada. É a primeira vez que Lula se posiciona em relação à ditadura na Nicarágua, onde o governo Ortega prendeu 7 candidatos a presidente e outros 24 membros da oposição e da imprensa desde maio deste ano.

O país terá eleições presidenciais em novembro, mas a oposição e órgãos internacionais denunciam que o pleito não será livre e justo se não houver mudanças. Lula e o PT vêm sendo cobrados a condenar ditaduras de esquerda como a de Nicolás Maduro, na Venezuela, e a de Daniel Ortega, na Nicarágua.

“Se eu pudesse dar um conselho ao Daniel Ortega, daria a ele e a qualquer outro presidente. Não abra mão da democracia. Não deixe de defender a liberdade de imprensa, de comunicação, de expressão, porque isso é o que favorece a democracia”, disse à jornalista Sabrina Berman, do Canal Onze do México.

Ortega vai concorrer a seu quarto mandato consecutivo em novembro, após seu governo ter aprovado uma mudança na Constituição em 2014 que aboliu o limite de dois mandatos (consecutivos ou não) para candidatos.

Indagado pela jornalista mexicana sobre o que achava da Nicarágua, “um modelo de esquerda que arrasa a democracia”, segundo ela, Lula respondeu: “Faz dez anos que não tenho contato com a Nicarágua, não sei muito bem o que está acontecendo lá. Mas tenho informações de que as coisas não andam nada bem por lá”, disse.

Segundo ele, “na Nicarágua, seria bom ter alternância de poder”. “Eu dizia ao [Hugo] Chávez, dizia ao [Alvaro] Uribe: toda vez que um governante começa a se achar insubstituível e começa a se achar imprescindível, está surgindo um pouco de ditadura naquele país”, afirmou.

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O ex-presidente citou que acabou seu segundo mandato, em 2010, com 87% de bom e ótimo nas pesquisas de aprovação popular. “Não aceitei um terceiro mandato, sou amplamente favorável à alternância de poder”.






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