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Kátia Flávia
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Hayden Panettiere entregou guarda da filha para tratar vício e depressão: “Ela não pediu para nascer”

Antes de morrer aos 36 anos, atriz de Heroes e Nashville abriu o coração sobre a decisão mais difícil da vida: se afastar da filha para tentar sobreviver à própria dor

Kátia Flávia

17/08/2026 14h00

Hayden Panettiere morreu aos 36 anos e teve relatos sobre maternidade e saúde mental resgatados

Hayden Panettiere morreu aos 36 anos e teve relatos sobre maternidade e saúde mental resgatados

Hayden Panettiere, atriz conhecida por Heroes e Nashville, morreu aos 36 anos e deixou para trás um relato doloroso sobre maternidade, depressão pós-parto e dependência química. A artista contou publicamente sobre a perda da guarda da filha, Kaya Evdokia Klitschko, e sobre a decisão de não iniciar uma disputa para mudar a situação enquanto ainda tentava se recuperar. A morte da atriz foi confirmada pela família, e a causa ainda está sob investigação.

Eu estava no rodízio, já naquela parte silenciosa em que o café chega e a conta começa a encarar a pessoa, quando essa história apareceu na tela. Fechei o cardápio devagar, porque tem fofoca que vem gritando e tem notícia que pede outro tom. Essa aqui é daquelas que fazem a gente respirar antes de escrever.

Kaya, hoje com 11 anos, vive com o pai, o ex-boxeador Wladimir Klitschko, desde 2018. Hayden relatou ao longo dos anos, inclusive em seu livro de memórias, This Is Me: A Reckoning, o quanto a separação da filha foi dolorosa e como seus problemas com depressão pós-parto e dependência atravessaram aquele período.

A atriz descreveu a assinatura dos documentos que davam a guarda integral ao pai como uma das experiências mais dolorosas de sua vida. Em 2022, chegou a dizer que a decisão não havia sido inteiramente dela e rebateu a ideia de que simplesmente tivesse escolhido “dar” a filha. Na época, explicou que precisava trabalhar na própria recuperação e acreditava que, quando estivesse melhor, a situação poderia mudar.

Anos depois, já olhando para tudo com alguma distância, Hayden explicou que também decidiu não transformar a guarda de Kaya em uma guerra judicial. A atriz dizia reconhecer a estabilidade e a rede de apoio que a menina tinha ao lado do pai e temia que uma disputa pública entre dois pais famosos pudesse atingir justamente quem ela mais queria proteger.

E foi no livro que Hayden deixou uma das reflexões mais fortes sobre a filha: Kaya não havia escolhido nascer sob os holofotes nem dentro do caos vivido pela mãe. Por isso, queria preservar para a menina algo que ela própria, famosa desde criança, conheceu muito pouco: a possibilidade de ter privacidade e fazer as próprias escolhas.

Eu parei no café nessa parte. Porque é muito fácil olhar de fora e resumir uma história dessas em “mãe que perdeu a guarda”. Só que, quando você começa a abrir as camadas, aparecem depressão pós-parto, dependência, fama desde a infância, culpa e uma mulher tentando entender se insistir em ter a filha perto naquele momento seria realmente o melhor para a criança.

A maternidade foi atravessada pela depressão

Kaya nasceu em dezembro de 2014, quando Hayden tinha 25 anos. A atriz relatou posteriormente que enfrentou uma gestação e um parto traumáticos e desenvolveu depressão pós-parto. Também contou que teve dificuldades para criar vínculo com a filha e passou a recorrer ao álcool como forma de tentar anestesiar aquilo que sentia.

A situação chegou a um ponto em que ela própria percebeu que precisava de ajuda profissional. Hayden passou por tratamentos para dependência e problemas relacionados à saúde mental, uma batalha que posteriormente decidiu expor para tentar explicar partes de sua vida que, durante anos, foram vistas apenas de fora.

Mesmo morando longe de Kaya, a atriz dizia que a relação entre as duas continuava. Em entrevista concedida em maio deste ano, contou que viajava para encontrar a filha sempre que conseguia e que, quando não estavam juntas fisicamente, conversavam frequentemente por FaceTime. Também falou com carinho sobre perceber a menina procurando cada vez mais a mãe conforme crescia.

Hayden também dizia manter uma boa relação de coparentalidade com Wladimir Klitschko e demonstrava gratidão pela estrutura que a filha tinha ao lado do pai.

A atriz morreu no domingo, 16 de agosto, aos 36 anos. Conhecida mundialmente por trabalhos como Heroes, Nashville e a franquia Pânico, ela havia lançado neste ano o livro This Is Me: A Reckoning, justamente revisitando fama, maternidade, dependência e os períodos mais difíceis de sua trajetória.

Eu pedi a conta, guardei o celular e fiquei pensando como a internet gosta de simplificar a vida dos outros com uma crueldade preguiçosa. Olhar apenas para os documentos da guarda é fácil. Difícil é enxergar uma mulher doente, famosa desde criança, atravessada por depressão, vício e culpa, tentando decidir o que causaria menos sofrimento à própria filha.

No fim, talvez uma das partes mais dolorosas da história de Hayden Panettiere seja justamente essa: ela passou anos tentando explicar que distância não significava ausência de amor. E deixou registrado, antes de morrer, que queria para Kaya aquilo que a própria fama lhe tirou muito cedo: o direito de crescer fazendo suas próprias escolhas.

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