O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta quarta-feira, 1º de julho, que o partido não conversou com outras legendas sobre a indicação de um candidato a vice na chapa do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado. O posto será ocupado pelo próprio Kassab, em uma composição inteiramente formada por integrantes do PSD, diferentemente de outras pré-candidaturas que costumam buscar nomes de siglas aliadas para a vice.
As declarações foram dadas a jornalistas após Caiado anunciar Kassab como seu companheiro de chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. O comunicado ocorreu na sede nacional do partido, em Brasília.
Em conversa com jornalistas, Kassab afirmou que não há crise na campanha de Caiado pela ausência de palanques de governadores estaduais do PSD. “Não tem crise nenhuma”, salientou.
O dirigente disse que o partido respeitará as circunstâncias locais, citou a necessidade de o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, construir sua própria candidatura ao governo fluminense e declarou torcer pela reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, cujo nome, segundo ele, será incorporado à campanha presidencial. Kassab também disse que o candidato apoiado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é Flávio Bolsonaro (PL), mas afirmou que isso não representa um problema para a chapa do PSD.
Durante o evento, Kassab afirmou que a entrada de Caiado na corrida presidencial representa um momento especial para o PSD. O dirigente disse ter convicção de que a República vive um quadro de deterioração institucional e afirmou que os Poderes estão contaminados pela ineficiência, o que, segundo ele, abala a confiança da sociedade.
Kassab também criticou os governos dos últimos 30 anos por, em sua avaliação, não terem conseguido combater a corrupção, ampliar a transparência no uso dos recursos públicos ou promover uma reforma administrativa. Segundo ele, em vez de reformas, sucessivas gestões têm recorrido ao aumento da carga tributária
O presidente do PSD afirmou ainda que estará ao lado de Caiado nas missões que o ex-governador de Goiás considerar necessárias. “Você sabe que contará com a minha participação nas missões que você entender que sejam necessárias”, declarou.
Kassab é fundador e presidente nacional do PSD desde 2011 e comanda uma das maiores estruturas partidárias do País, com mais de 1.300 prefeitos filiados. Antes disso, foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016, e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações na gestão Michel Temer (MDB), de 2016 a 2019.
Ele assumiu a Prefeitura de São Paulo em 2006, após a renúncia de José Serra (PSDB) para disputar o governo estadual, e foi reeleito em 2008, tornando-se o primeiro prefeito da capital paulista a conquistar dois mandatos consecutivos.
Em 2023, Kassab assumiu a Secretaria de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio, a quem apoiou nas eleições de 2022 e para quem indicou o vice. Desde então, passou a articular sua indicação para compor a chapa de reeleição do governador. O governador, porém, decidiu manter Felício Ramuth, que deixou o PSD e se filiou ao MDB para permanecer no posto. Após o esvaziamento da articulação e uma sequência de atritos com aliados, Kassab deixou a secretaria em março.
Além de Caiado e Kassab, discursaram no evento o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, o deputado federal Saulo Pedroso (PSD-SP) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). O governador de Goiás e sucessor de Caiado no Estado, Daniel Vilela (MDB), também esteve presente.
A convenção nacional do PSD deve ocorrer no fim de julho. Na ocasião, o partido deve oficializar a candidatura de Caiado e Kassab ao Palácio do Planalto.
Estadão Conteúdo.