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Política & Poder

Internautas pedem um dia sem falar em Bolsonaro ‘em nome da saúde mental’

Escritor Chico Barney quer, por “questão de saúde pública”, passar um dia da semana sem tuitar nada sobre o presidente. Falas têm preocupado o Congresso

Willian Matos

31/07/2019 11h13

Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

As redes sociais na manhã desta quarta-feira, 31, confirmam que não é inócua a preocupação de auxiliares do presidente da República Jair Bolsonaro que, conforme informa matéria da edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo, estão apreensivos com os efeitos práticos das últimas polêmicas causadas por falas do mandatário. A hashtag #QuartaFeiraSemBolsonaro foi sugerida pelo perfil do escritor Chico Barney no Twitter e é o assunto mais comentado desta manhã. 

De acordo com Barney, a ideia é “passar um dia da semana sem tuitar nada a respeito do governo”. “Questão de saúde pública”, comenta. A ideia foi endossada e está há cinco horas entre os assuntos mais debatidos do Twitter. Os internautas contrários ao governo estão utilizando a hashtag em posts sobre outros assuntos, enquanto os militantes virtuais favoráveis à gestão também ajudam a impulsionar a hashtag, mas dizendo que não irão parar de falar sobre o presidente.

Falas geram preocupação no Planalto

Foto: Adriano Machado/Reuters

A sequência de declarações de Jair Bolsonaro nos últimos dias levou apreensão a alguns de seus auxiliares mais próximos e motivou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira, 30. Na avaliação do grupo, que inclui integrantes da ala militar do governo, o presidente elevou em demasia o tom de suas falas, o que vem prejudicando sua gestão.

Enquanto ele provoca dando declarações desencontradas sobre a morte do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, na ditadura militar, põe em dúvida relato de indígenas acerca de ataque de garimpeiros no Amapá e evita lamentar o massacre em Altamira, o governo perde a chance de divulgar pautas positivas, de acordo com integrantes desse grupo.

Nesta terça, Bolsonaro voltou a causar polêmica ao questionar a veracidade de documentos oficiais que apontam a morte de Fernando de Santa Cruz, pai de Felipe, como vítima da ditadura. “A questão de 1964, não existem documentos se matou, não matou, isso aí é balela”, disse. 

De acordo com uma fonte a par da conversa, “coisas boas”, como a liberação do FGTS ou a descoberta do hacker que invadiu o celular de autoridades, acabam “se perdendo em polêmicas” logo depois diante do “destempero” presidencial.

Uma das razões da reunião foi justamente tentar entender o que está por trás do comportamento de Bolsonaro. Muitos deles admitem que têm sido pegos de surpresa pelas declarações controversas do presidente.

Dois diagnósticos foram feitos. O primeiro é que a equipe presidencial errou ao deixar Bolsonaro muito exposto a jornalistas durante eventos nos últimos dias. A intenção é reduzir parte das interações, limitando, assim, as oportunidades de ele alimentar novas polêmicas.

A segunda avaliação é de que integrantes da chamada ala ideológica têm conseguido influenciar o presidente de forma mais assertiva. Não está claro para o grupo quem são os mais “ativos” nessa empreitada, embora “suspeitas” recaiam sobre aliados encarregados de sua comunicação digital, área de influência de Carlos Bolsonaro.

Uma das leituras feitas é de que essa tentativa de inflamar o discurso do presidente decorre de uma reação à chegada ao Planalto de assessores batizados internamente de “agentes contemporizadores”: Jorge Oliveira, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação; e o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo.

O trio adota discurso moderado e tenta fazer pontes com a imprensa. Ramos tem histórico de bom relacionamento com jornalistas e Wajngarten teve encontro recente com a cúpula das Organizações Globo.

Um auxiliar presidencial lembra que, apesar do aparente “arroubo”, as declarações feitas por Bolsonaro constam de seu repertório. O ex-deputado é conhecido por defender o período militar e a tortura contra militantes de esquerda.

Segundo alguns destes aliados, Bolsonaro moderou o tom durante semanas cruciais para a tramitação da reforma da Previdência justamente atendendo a pedido de aliados. Durante o recesso parlamentar, no entanto, ele voltou às polêmicas. 

Além de “blindar” Bolsonaro do contato com a imprensa, o grupo acredita que o retorno do filho mais velho ao Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), possa ajudar a amainar os ânimos. Ele tem um perfil mais moderado em relação aos irmãos e já foi comunicado sobre a crise. 

Estadão Conteúdo

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