Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br
A motivação para a saída de Julio Cesar Peres da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF teria sido pessoal. E deve ser oficializada na edição de hoje do Diário Oficial do DF. No lugar dele, assume o diretor de Urbanização da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), Antônio Coimbra. Esta seria a terceira vez que Peres tenta deixar o cargo, mas é convencido pelo governador Rodrigo Rollemberg a permanecer no comando da pasta. É o décimo secretário a sair em 18 meses.
O Palácio do Buriti confirma que o último pedido de exoneração foi feito pelo secretário há pelo menos um mês. O governador, no entanto, buscava um nome para substituí-lo e, por isso, pediu que Peres permanecesse no cargo por mais um tempo.
Nos bastidores, no entanto, sabe-se que, por ser oriundo do setor produtivo, o secretário tem bom trânsito com empresários da capital. E ajudava o chefe do Executivo na articulação com o setor. Este seria o principal motivo pelo qual ele seria tão querido no cargo.
Peres, que é empresário do ramo da construção civil, foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), principal entidade que representa a categoria. E atuava, principalmente, junto às empresas com as quais o governo tem dívidas. A saída foi protelada ao máximo. Até que não houve outra forma de mantê-lo na pasta e o governador, enfim, resolveu publicara a exoneração.
Sem verbas
Incomodaria o secretário a falta de verbas para tocar as obras públicas e a iminência de o governo fazer parcerias público-privadas para a construção e reforma de equipamentos públicos.
[button color=”” size=”” type=”square” target=”” link=””]
Desde a transição
O engenheiro civil Julio Cesar Peres fazia parte da equipe de Rodrigo Rollemberg desde o início da gestão. Foi anunciado secretário na primeira leva de nomeações do primeiro escalão. Com a Infraestrutura e Serviços Públicos, ele assumiu a pasta que substituiu a antiga Secretaria de Obras. A saída dele é cogitada de tempos em tempos, graças às conhecidas rusgas que mantinha com os comandos de outros órgãos no governo, principalmente a Novacap.
[/button]
Novacap seria gota d’água
A permanência de Júlio Menegotto no comando da Novacap, principal braço executor das obras no DF, teria sido a gota d’água para a saída de Peres. O pleito teria sido levantado por ele reiteradas vezes, em conversas com o governador. Ele queria ter a prerrogativa de escolher o diretor-presidente da empresa pública, que tem vinculação direta à Secretaria de Infraestrutura.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos informou apenas que Julio Peres agora vai se dedicar à empresa da família.
O agora ex-secretário é o sócio majoritário da empresa Construtora Ipê Ltda., que presta serviços para o governo. A organização é alvo, inclusive, de investigação no Tribunal de Contas que apura se há privilégios no pagamento de um contrato com a Secretaria de Saúde do DF.
Sócio majoritário
O Ministério Público de Contas, em representação apresentada no ano passado, informava que Julio Peres tem 98% de participação na sociedade da empresa. O documento reiterava que “constitui falta funcional a prática de ato incompatível com a moralidade administrativa, bem como o exercício de comércio na condição de gerente/administrador de sociedade empresarial por servidor do Distrito Federal”.
Na época, ele informou que estava afastado da gestão da empresa desde dezembro, quando foi anunciado secretário.
[button color=”” size=”” type=”round” target=”” link=””]
Cadeiras em dança constante
- Desde que começou a governador, o governador Rodrigo Rollemberg já fez várias trocas de comando no primeiro escalão.
2. Só na Secretaria de Saúde já foram indicados quatro nomes. E há especulações constantes sobre a saída do atual – Humberto Fonseca -, embora ele garanta que não tenha a mínima intenção de deixar a pasta.
3. Duas das áreas mais estratégicas do governo – as secretarias de Fazenda e da Casa Civil – tiveram os titulares substituídos no primeiro ano da gestão.
4. Rollemberg também trocou o comando da Mobilidade, mudou o articulador político três vezes e o comando da Secretaria de Justiça também.
5. Ao longo dos últimos quase 18 meses, Rollemberg fundiu secretarias, reduziu administrações regionais e voltou atrás em algumas decisões.
6. Parte das mudanças propostas pelo governador foi para atender a exigências de deputados distritais, que buscavam mais espaço no governo. E ainda há pressão para que ele aumente as pastas. Por enquanto, ele tem conseguido segurar. Mas não se sabe até quando as desculpas vão colar.
[/button]