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Política & Poder

GDF pagou por contrato de serviço da Delta na base do "olhômetro"

Arquivo Geral

24/04/2012 8h57

Carlos Carone

carone@jornaldebrasilia.com.br

 

Rios de dinheiro podem ter escoado pelo ralo,  com o pagamento pelo lixo depositado nos aterros sanitários do Distrito Federal pela empresa Delta – de propriedade de Fernando Cavendish –,  investigada pela Polícia Federal como suposto braço da organização criminosa controlada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Auditoria da Secretaria de Transparência nos contratos que a empreiteira mantém com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) apontam irregularidades, entre elas indícios de superfaturamento no valor pago pelo lixo recolhido.

 

Segundo o relatório, os caminhões eram pesados apenas de três em três meses, sendo que a empresa faturava de acordo com o peso dos detritos. Em novembro do ano passado, a empresa recebeu R$ 2,2 milhões. No mês seguinte, o valor subiu para R$ 2,4 milhões. O valor era pago em decorrência da pesagem dos caminhões que chegavam ao Aterro do Jóquei. O detalhe é que a balança que fazia a aferição estava quebrada e o controle teria sido feito na base do “olhômetro”. Apenas em janeiro deste ano o equipamento teria sido consertado e na primeira pesagem, os valores despencaram. Dos R$ 2 milhões anteriores, o valor caiu para cerca de R$ 600 mil  em janeiro deste ano e R$ 450 mil em fevereiro.

 

Falhas

O secretário de Transparência e Controle, Carlos Higino de Alencar afirmou que foram identificados  problemas na execução do contrato entre a Delta e o SLU. “São falhas que diziam respeito à falta de apresentação dos planos de varrição como alguns locais que não tinham as varrições como deveriam. Ainda havia de irregular o pagamento de valores que, portanto, pela inexecução dos serviços, deveriam ter sido descontados, além, é claro, da pesagem e controles falhos por parte do SLU”, disse o secretário.

 

O relatório  destaca que os sistemas de informatização do SLU são péssimos e esse tipo de deficiência, como a ausência de balanças e sistemas eletrônicos de controle do lixo recolhido ajudariam na fiscalização. “ Muita coisa era controlada no SLU com anotações em papel. Esse fato é uma margem imensa para fraudes. A Delta ofereceu um preço baixo por tonelada de lixo recolhida, segundo as interceptações telefônicas da Polícia Federal que eu tive acesso A esperança da Delta seria tentar dominar as fiscalizações, por meio de um suposto tráfico de influência”, disse Higino. Gravações feitas pela PF apontaram que pessoas ligadas à Cachoeira teriam tentado indicar pessoas de confiança para direção do órgão e controlar a coleta de lixo seletiva no DF.

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