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Política & Poder

Flávio Bolsonaro mandou a Richarlison contrato sigiloso de amigo

Documento mostra acordo entre advogado Willer Tomaz e ex-agente do jogador.

Redação Jornal de Brasília

23/10/2026 19h58

Richarlison divulgou um vídeo com documentos e questionamentos sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Richarlison divulgou um vídeo com documentos e questionamentos sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou mensagens privadas ao atacante Richarlison em julho, pelo Instagram, com imagens de um contrato entre o advogado Willer Tomaz e o ex-agente do jogador, Renato Rocha Velasco. A conversa ocorreu após o atleta reclamar publicamente de um prejuízo de R$ 10 milhões com uma casa em Angra dos Reis (RJ).

O documento, mantido em sigilo, estabelece que a empresa Sport70, sociedade entre Richarlison e Velasco, desistiria da disputa judicial sobre o imóvel em troca de um depósito feito em três contas do empresário. Richarlison não teve acesso ao valor, embora tivesse arcado com metade dos gastos na propriedade ao lado de Velasco e do ex-presidente do América-MG Alencar Silveira Jr.

A casa foi comprada pela Sport70 e por Silveira de um posseiro. Willer Tomaz, após visitar o local com Flávio Bolsonaro, descobriu que o registro estava em nome de uma empresa inativa, adquiriu o direito de posse e obteve na Justiça a reintegração, que tirou a família do jogador do local.

O atacante alega ter sido lesionado duplamente: pela perda da casa e por ver um acordo de ressarcimento das reformas que ele bancou ser feito diretamente com Velasco, seu ex-agente, com quem já havia rompido publicamente. Richarlison descobriu depois que o empresário retinha parte de seus rendimentos acima do permitido pelas regras da Fifa.

Willer Tomaz afirmou que foi Velasco quem o procurou para o acordo. “Não fui eu quem o procurou, mas ele que me procurou buscando um acordo, primeiro através do advogado dele, depois ele em pessoa”, declarou o advogado. Ele ressaltou que Richarlison nunca foi parte formal nos processos, apenas a Sport70, administrada por Velasco.

O advogado enviou à reportagem trechos do contrato com cláusulas de desistência e as assinaturas eletrônicas de Velasco, mas manteve os valores em sigilo. O processo principal foi encerrado este ano por desistência da Sport70, sem a anuência de Richarlison.

Nem o jogador nem Alencar Silveira Jr., agora conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais, conseguiram acesso ao contrato para exigir judicialmente a partilha de qualquer valor recebido pelo ex-agente.

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