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Política & Poder

FAB impõe sigilo de 100 anos a lista de passageiros de jato de Vorcaro

Medida envolve plano de voo no período em que banqueiro foi preso antes de viajar para Malta.

Redação Jornal de Brasília

15/10/2026 10h30

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Foto: Reprodução

A Força Aérea Brasileira impôs sigilo de 100 anos à lista de passageiros e ao plano de voo do jato do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi negada pelo Comando da Aeronáutica a um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação.

O pedido se referia ao período de 10 a 20 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em um Falcon 7X com destino a Malta, na Europa. A FAB alegou a necessidade de proteger a intimidade e a vida privada dos ocupantes do avião de prefixo PS-FST.

Segundo a Força Aérea, o itinerário de uma aeronave identificada, em datas determinadas, permite associar deslocamentos a dirigentes, sócios e demais usuários. “O histórico individualizado de planos de voo de uma mesma aeronave, em sequência, permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas”, afirmou a FAB.

A resposta invocou o artigo 31 da LAI, dispositivo que estabelece o sigilo centenário para dados pessoais. O órgão sustentou que o cruzamento dessas informações com registros públicos permite identificar pessoas naturais.

O uso do mecanismo não se restringiu a esse caso. Em agosto, o Exército negou a divulgação da lista de escolha para promoção de oficiais-generais encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Comando do Exército também aplicou sigilo de 100 anos a eventuais comunicações entre militares e a empresa de análise de dados Palantir. O Banco do Brasil usou a mesma regra para não revelar os nomes de visitantes da presidência da estatal.

A Secretaria de Comunicação da Presidência barrou a divulgação de autoridades, servidores e agentes públicos que participaram de treinamentos para a imprensa desde 2021.

Durante a campanha presidencial de 2022, Lula prometeu acabar com o sigilo de 100 anos. No entanto, dados da Controladoria-Geral da União apontam que o governo federal negou cerca de 5,6 mil pedidos desde 2023 sob a justificativa de conter dados pessoais.

No governo de Jair Bolsonaro, foram 7,1 mil negativas com base no mesmo dispositivo. O Globo divulgou que, de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, 3.210 pedidos via LAI foram negados com base em sigilo de dados pessoais, um aumento de 8,4% em relação ao período anterior.

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