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Estamos entre o passado da corrupção e o presente da falta de equilíbrio mental, diz Jorge Bornhausen

Em 2019, Bornhausen disse ao jornal Folha de S.Paulo que acreditava que o centro apoiaria Luciano Huck contra o PT e Bolsonaro

Por FolhaPress 26/11/2021 10h31
Foto: Arquivo NSC

Camila Mattoso
Brasília, DF

Jorge Bornhausen, 84, um dos mais experientes personagens da cena política brasileira, mantém o desprezo que sempre teve pelo PT, mas não parece nutrir sentimento diferente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Diante de um cenário em que os dois lideram as pesquisas de intenção de voto, o ex-senador catarinense deposita suas fichas no que tem sido chamado de terceira via, formada por possíveis candidatos como Sergio Moro (Podemos), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Rodrigo Pacheco (PSD).

Em 2019, Bornhausen disse ao jornal Folha de S.Paulo que acreditava que o centro apoiaria Luciano Huck contra o PT e Bolsonaro. O apresentador desistiu de buscar o cargo em 2022.

Sem arriscar nomes, Bornhausen, que também foi governador de Santa Catarina e presidente do PFL (atual DEM), projeta um afunilamento na terceira via depois da janela de março de 2022.

“Então os partidos saberão se têm musculatura ou não para ter um candidato a presidente, para fazer os palanques estaduais. Agora não há nenhuma possibilidade de a gente fazer uma antecipação sobre quem será o candidato que permanecerá na eleição presidencial”, afirma.

Ele chama o grupo de presidenciáveis de “nova via”, pois “terceira via” teria, segundo ele, conotação derrotista -“já começa em terceiro”.

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“Torço para que haja um entendimento [entre os candidatos da terceira via] e a gente possa sair da bipolarização entre Lula e Bolsonaro, ou seja, entre o passado que foi caracterizado pela corrupção e o presente, que é caracterizado pela falta de equilíbrio mental do presidente. Entre o fracasso do passado e o fracasso do presente”, descreve Bornhausen, que deixou o DEM em 2011 e desde então não se filiou a outra sigla, a despeito de ter ajudado na construção do PSD, de Gilberto Kassab, e de ter se tornado um aliado de Eduardo Campos, do PSB.

Ele diz ter se aposentado da disputa política em 2007 e que não pretende voltar a ela. Ainda assim, ele é procurado com frequência por políticos em busca de conselhos.Sobre o governo Bolsonaro, Bornhausen diz que ele merece a rejeição que as pesquisas têm demonstrado. Em setembro, o Datafolha mostrou que a reprovação ao presidente chegou ao recorde de 53%.

“Tirando a ministra da Agricultura [Tereza Cristina, do DEM], que se sai muito bem, o contexto geral é negativo. O presidente foi negacionista e responsável pelo aumento da pandemia. A inflação está aí para quem quiser ver. O desemprego está evidente. É claro que a candidatura de Bolsonaro está fadada ao insucesso”, diz.

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