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Política & Poder

Especialistas apontam falhas nos três anos da gestão Rollemberg

Arquivo Geral

21/12/2017 9h11

Foto:João Stangherlin

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

OGoverno de Brasília planeja fechar a gestão com R$ 4 bilhões em investimentos executados no Distrito Federal. Às vésperas do último ano da atual gestão do Buriti, Rodrigo Rollemberg acredita em bom trabalho pautado em austeridade, seriedade e equilíbrio, e aponta realizações dos três anos de exercício. Para 2018, o plano é de R$ 1,5 bilhão em aplicações, com garantia de equilíbrio econômico. Especialistas, porém, não enxergam o mesmo cenário pintado pelo governador.

Por pelo menos seis vezes, Rollemberg usou as palavras “austeridade”, “seriedade” e “equilíbrio” para definir os primeiros três anos de governo. A promessa é de “um 2018 de prosperidade”, com orçamento previsto de R$ 1,5 bilhão de investimento – o equivalente a 3,5% do aprovado pela CLDF nesta semana. Para 2018, ele garante que está descartada a possibilidade de atrasos de salários.

Nos três anos, o GDF contabilizou 8.964 nomeações. A maioria (6.065) para a área da saúde, segurança (1.156) e educação (834), exceções à Lei de Responsabilidade Fiscal. Depois de setembro, após saída do limite prudencial, foram outras 639 cadeiras preenchidas.

Há previsão de concursos públicos para o ano que vem. Rollemberg condicionou contratações de servidores e a criação de 220 leitos do Hospital da Criança à aprovação da emenda ao orçamento do DF que prevê o uso de R$ 1,2 bilhão do Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev), que deve ser votada em 15 de janeiro.

Durante a apresentação do balanço dos três anos da gestão, sob os olhares atentos de quatro secretários do primeiro escalão do governo, o governador deu pistas de que tentará a reeleição. “Eu diria que nós vamos concluir esse primeiro mandato com as contas equilibradas. Brasília vai ser uma cidade equilibrada do ponto de vista econômico e com todos os serviços públicos funcionando”, disse.

Entretanto, após 1.084 dias de mandato e a um ano do fim da gestão, o chefe do Executivo preferiu não avaliar o próprio governo: “Quem tem que dar uma nota é a população e ela tem que dar essa nota no momento adequado”.

Legado e desafios

Desde que assumiu a cadeira do Buriti com discurso de “rombo herdado”, Rollemberg enfatizou a organização das contas públicas que, em três anos, passou de R$ 6,5 bilhões para R$ 1,5 bilhão. Apesar disso, ele garante que equilíbrio econômico, por si só, não é objetivo: “Serve “para garantir o pagamento e a capacidade de investimento nas áreas mais carentes do DF”.

O chefe do Executivo apontou outras medidas, como a implementação do bilhete único e o investimento em obras de mobilidade, como os R$ 207 milhões aplicados Trevo de Triagem Norte e na Ligação Torto-Colorado, por onde mais de 100 mil motoristas transitam todos os dias. Ontem, o JBr. mostrou mudanças para a mobilidade.

Para o ano que vem, o principal desafio é a saúde. “Enfrentamos muitas resistências para aprovar o novo modelo de gestão e tenho a convicção que o Instituto Hospital de Base vai contribuir para melhorar a saúde no DF, além da ampliação da cobertura da atenção primária”, afirmou.

Especialistas avaliam ponto a ponto

“Temos que reconhecer que Rollemberg herdou o governo em uma situação ruim, mas, do ponto de vista do desempenho, fica abaixo da média: não disse a que veio e passou três anos em um discurso que não reflete a realidade”, opina o especialista em administração pública José Mathias-Pereira. Para ele, a razão principal é falta de experiência. Por outro lado, acredita que o modelo de coalizão amarrou a capacidade de desempenho porque, para ter apoio, entregou cargos por critérios políticos.

Quanto aos índices criminais, para Nelson Gonçalves, especialista em segurança pública, parece haver uma tendência de redução, mas ainda é cedo para apontar causa. “As quedas precisam ser avaliadas em período significativo, entre cinco e dez anos, para confirmar e apontar causas. Não enxergo programas do governo que pudessem reduzir de maneira consistente”, opina. Ao mesmo tempo, o estudioso aponta a insatisfação das corporações, que reclamam de falta de efetivo e salários. “A avaliação é prematura”, acredita.

Na educação, enquanto o governo comemora a universalização do Ensino Infantil e ampliação em 83% do ensino integral, o especialista Afonso Galvão faz duras críticas. “Os problemas são os mesmos. Duvido de universalização, até porque muitas creches não funcionam. Não teve recuperação de escolas ou qualquer tipo de projeto continuado”, afirma.

Trânsito

O especialista em trânsito Luiz Miúra faz avaliação positiva da gestão, que reduziu as mortes. Para ele, é essencial a continuidade das gestões, como aconteceu no DER, que manteve o diretor: “Rollemberg tem a melhor gestão de trânsito, com certo disciplinamento, campanhas, controle de velocidade. Isso é significativo”, opina.

Na área do urbanismo, o especialista Frederico Flósculo não economiza críticas. Para ele, houve reciclagem de políticas dos últimos dois governantes, Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda. “Ele deu prosseguimento ao planejamento territorial, com similares características de negociação política e de falta de fundamentação ambiental. Rollemberg não inova”, dispara. Na gestão, o governador obteve a aprovação de leis como a Lei de Uso e Ocupação do Solo e a regularização de Puxadinhos de bares e restaurantes.

Saiba mais

  • Entre as realizações da gestão, Rollemberg destaca aquelas que ficarão de “legado”: “Jamais outro governador terá condições de retroceder em relação às conquistas não só do governo, mas da população do DF: a desativação do Lixão, a universalização da educação para crianças de 4 e 5 anos, a regularização fundiária, o novo modelo de gestão da Saúde e investimentos para enfrentar a crise hídrica”, valorizou.

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