Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Política & Poder

Eduardo Bolsonaro já ironizou voo em 1ª classe para atacar deputada comunista

Na época, Eduardo alimentava um antagonismo em torno do tema com a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

Por FolhaPress 12/01/2022 8h19

Joelmir Tavares
São Paulo, SP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ironizou em 2016 voos em classe executiva para o exterior, como os que foram liberados nesta quarta-feira (12) para ministros do governo, ao compartilhar foto sua voando para Israel com o pai, o presidente Jair Bolsonaro (PL), e os irmãos Flávio e Carlos.

Na época, Eduardo alimentava um antagonismo em torno do tema com a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Reproduzindo fotos dela dentro de aviões, ele dizia em suas redes ser incompatível viajar em classe superior e defender o pensamento comunista.

“Air France na primeira classe?”, escreveu Eduardo na postagem no Facebook. “Quem sabe quando eu abrir meu negócio, trabalhar mais, ralar mais, poupar mais e assim priorizar eu viaje de primeira classe na Air France.”

“Até lá fico feliz por poder atravessar o oceano num avião e manter coerência em meu discurso – com Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro. Nada contra quem viaja de classe executiva, pelo contrário, mas coerência é tudo! #ficaadica”, concluiu.

Na foto, tirada dentro da aeronave, Jair Bolsonaro aparece sentado em uma poltrona no canto, com a cabeça abaixada, como se lesse algo ou mexesse no celular. Os três filhos posaram sorrindo.

Foi durante essa viagem a Israel que o presidente foi batizado no rio Jordão pelo Pastor Everaldo, então presidente do PSC (Partido Social Cristão), ao qual Bolsonaro era filiado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em postagens feitas quase um ano antes, em 2015, Eduardo reproduziu imagens de Jandira em voos para criticá-la. “Dona de restaurante em Copacabana, cirurgia estética no Copa D’Or, voo na 1ª classe da Air France. Essa é comunista!”, ironizou ele.

O deputado também afirmou: “Será que a deputada transmite aos seus funcionários o discurso de que todo empregado é explorado para o patrão ter o seu lucro? […] Nada como pregar o comunismo e desfrutar do capitalismo. Na minha terra isso se chama hipocrisia, demagogia…”.

Eduardo já era parlamentar na época e tinha o pai como colega na Câmara. Procurada nesta quarta para comentar o episódio, Jandira não se manifestou.

O governo Bolsonaro virou alvo de opositores ao longo do dia em razão do decreto permitindo que ministros de Estado e ocupantes de cargos de confiança de alto nível da administração possam viajar em classe executiva durante missões oficiais ao exterior, em voos que durem mais de sete horas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Termos como mordomia e “mamata” foram usados por detratores em redes sociais para atacar a decisão.

Apesar das críticas à liberação das passagens de primeira classe, um ex-integrante do governo e hoje detrator de Bolsonaro afirmou à coluna sob reserva que a decisão é acertada, já que muitas vezes as agendas no exterior são apertadas e o cansaço da viagem pode prejudicar o desempenho.

Segundo esse ex-auxiliar, é comum que o representante do governo brasileiro desembarque em um país e siga direto para compromissos oficiais, o que justificaria o conforto extra. A mudança também é tida como razoável por questões de saúde no caso de voos longos para pessoas acima dos 60 anos.

A justificativa para dispensar os servidores da viagem em classe econômica foi, segundo o Planalto, relacionada a questões de saúde. A Secretaria-Geral da Presidência disse ser preciso, por exemplo, “atenuar eventuais efeitos colaterais em face de déficit de ergonomia”, ou seja, má postura.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O próprio presidente já exaltou o fato de ter viajado para fora do Brasil na categoria inferior. Em 2020, ele chamou de “completamente imoral” a atitude de um funcionário da Casa Civil que fez um voo exclusivo em jatinho da FAB (Força Aérea Brasileira) entre Davos (Suíça) e Déli (Índia).

“Ministros antigos foram de aviões lá comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para a Ásia toda de comercial, classe econômica, e não entendi”, afirmou Bolsonaro na ocasião.

Ministros que, assim como o servidor Vicente Santini, estavam em Davos para o Fórum Econômico Mundial deixaram o local em voos comerciais, com bilhetes comprados em classe econômica. Segundo relatos da época, só Paulo Guedes (Economia) foi na executiva, após pagar do próprio bolso a diferença.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Santini, que é amigo da família Bolsonaro, chegou a ser exonerado da função, mas voltou à Esplanada dos Ministérios e é o atual secretário nacional de Justiça.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE








Você pode gostar