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Política & Poder

É a hora de investigar

Arquivo Geral

21/08/2013 7h20

Após a repercussão negativa dos supostos perfis falsos usados na internet para atacar a oposição, a deputada Celina Leão (PSD) protocolou ontem representação no Ministério Público pedindo a investigação do possível envolvimento do GDF no caso. No alvo da investigação estão o governador Agnelo Queiroz e o ex-secretário de publicidade Abimael Nunes, exonerado ontem. Além disso, existe a possibilidade de que seja instaurada  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa.

 

A deputada irá hoje até a Procuradoria-Geral da República para entregar formalmente o pedido de investigação contra o governador e, para amanhã à tarde, está prevista uma reunião com a procuradora-geral de Justiça do DF, Eunice Carvalhido. Na peça destinada ao Ministério Público, estão citados Rosa Sarkis e Sérgio Diniz, sócios da Sarkis Comunicação, empresa que estaria operando a criação dos perfis falsos.

 

Todos querem saber

 

 “Era algo orquestrado. Os fakes, ao mesmo tempo que falavam mentiras sobre nós, eles elogiavam o governador. Algo talvez até amador, ao ponto de serem descobertos”, disparou Celina Leão. Para a parlamentar, a CPI é um cenário possível. “Tem grandes chances de virar CPI. Não foi só a oposição, mas a base também. Temos deputados do próprio PT, como o Chico Leite, que chegou a questionar que seria uma militante do próprio PT. Não é uma questão de saber se era da base ou não. Resta saber se o Agnelo sabia de tudo isso”, concluiu.

 

A deputada Eliana Pedrosa (PSD) também defendeu a apuração dos fatos, já que os ataques teriam sido direcionados até mesmo à vida pessoal de parlamentares. “Atacaram nossa honra, nossas vidas pessoais e nossas famílias. Já estou na Justiça contra esse grupo, mas estou encontrando muitas dificuldades, já que a empresa de telefonia se recusa a identificar o endereço IP do computador utilizado”, revelou.

 

O presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT), pediu a Celina Leão mais informações sobre o assunto e prometeu que a Mesa Diretora fará uma análise sobre o que pode ser feito. A deputada Arlete Sampaio (PT) também falou sobre o assunto e disse ter sido atacada por perfis falsos quando foi secretária de Desenvolvimento Social.

 

Também vítima de um dos blogs citados nas denúncias, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) pede investigação dos envolvidos: “Os responsáveis têm de ser investigados, quem quer que sejam”, cobrou.

 

Conforme adiantou o Jornal de Brasília, o ex-secretário de Publicidade Institucional, Abimael Carvalho foi exonerado para assumir a chefia da assessoria especial, da Governadoria. Procurado pela reportagem, Abimael não foi encontrado para comentar o assunto.

 

Digitais estão na internet 

 

Um usuário do Twitter, desavisado, pode ver muitas postagens positivas sobre o Governo do Distrito Federal. É só buscar a hashtag #Agnelo_Queiroz e encontrar vários elogios e mensagens divulgando ações do GDF. No entanto, a suspeita é de que esses perfis sejam falsos e façam parte de uma estratégia para demonstrar que o governador é bem avaliado.

 

Alguns desses fakes não possuem nem mesmo postagens sem relação com o GDF e costumam ter números altos de seguidores. Por exemplo, um só fake tem mais de três mil seguidores. A mais famosa entre os perfis falsos é Lucia Pacci, que se intitula jornalista e socióloga. Além de  uma página no Twitter, ela também tem um blog, onde escreve textos contra Rodrigo Rollemberg, Cristovam, Arruda e outros. Nas mensagens postadas por lá, sobre a gestão ou o comportamento de Agnelo Queiroz, mostrou-se claramente favorável a ele.

 

Secretaria nega 

 

Questionada sobre a possibilidade de CPI, a Secretaria de Comunicação do GDF negou ter relação com a empresa que seria a responsável pelas postagens. “A Secretaria de Publicidade Institucional – assim como qualquer outro órgão do GDF – não firmou contrato ou qualquer outro tipo de vínculo financeiro com a empresa Sarkis Comunicação. Muito menos administrou ou coordenou a utilização de contas e perfis falsos na internet”, respondeu, em nota.

 

Saiba Mais

 

A Sarkis Comunicação teria sido subcontratada pela agência de publicidade Agnelo Pacheco, uma das responsáveis pelos contratos com o GDF.

 

Os fakes seriam controlados por funcionários da Sarkis, que tem sede em uma mansão no Lago Sul e utiliza o nome fantasia Painel Brasil TV.

 

Muitas das revelações foram feitas pela professora Márcia Godoy, contratada pela empresa para traduzir informações que serviriam para denunciar o deputado federal Fernando  Franceschini (PSDB-PR).

 

Foi elaborado um dossiê falso que falava sobre atos de violência de responsabilidade do deputado quando ele foi secretário de Segurança Pública do Espírito Santo.

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