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Política & Poder

Distrital entre a Rede e o PDT

Arquivo Geral

02/10/2013 11h00

O suspense criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para decidir em cima da hora sobre o futuro da Rede Sustentabilidade está colocando em xeque o destino partidário do distrital Joe Valle, que se desfilia hoje do PSB.

 

Diante da possibilidade de o partido não vingar, Joe já tem um plano “B” e deverá seguir seu caminho,  transferindo-se para o PDT do deputado federal José Antonio Reguffe e do senador Cristovam Buarque. A opção é arriscada, já que o distrital pode perder o mandato. Mas, segundo ele, é a mais coerente com seu trabalho. 

 

“A Rede vai sair e eu tenho convicção disso. Mas se não sair vou para o PDT, onde tenho grande carinho pelo senador Cristovam, pelo deputado Reguffe e pela bandeira da educação”, anuncia Joe. Ele promete: “Caso ingresse no PDT vou cair de cabeça nessa questão, pois só assim teremos condições melhores de vida para a população”.

 

Mesmas ideias

 

O distrital em primeiro mandato afirma que as ideias levantadas pela Rede não se perderão, mesmo que a Justiça Eleitoral não aprove o registro. Para ele, o mais importante é o conceito criado pelas pessoas que se uniram para formá-la.

 

Segundo o parlamentar, sua transferência para o partido de Cristovam e Reguffe já está acertada com ambos, que conhecem sua preferência pelas ideias defendidas pela postulante sigla de Marina.

 

AMEAÇA

 

Joe reconhece que ao ingressar no PDT terá problemas eleitorais e poderá inclusive ter que entregar seu mandato, uma vez que irá se transferir para uma legenda já existente, o que contraria a lei.

 

Apesar da possibilidade, Joe não pensou ainda se entrará com recurso para manter seu cargo. “Não tenho amor por mandato, mas tenho um grupo de pessoas ao meu redor com quem decidirei essa questão. Hoje não sou apenas eu, mas congrego um grupo que decide em conjunto”, explica o distrital, que tomará as decisões de seu mandato com os integrantes de seu gabinete.

 

Três tempos das debandadas partidárias
 
1 No início da atual legislatura já ocorreu um primeiro troca-troca de legendas pelos distritais. Na maior parte dos casos, eles fugiam de partidos nanicos que não lhes davam garantias de reeleição. Afinal, se uma legenda não atinge quociente eleitoral, nenhum de seus candidatos se elege.
 
2 Pesou para isso, também, o surgimento de novas legendas. Os deputados podiam se filiar sem correr o risco de perder o mandato. Por isso, o PSD e o PEN se tornaram segunda e terceira bancadas. Além disso, serviram de abrigo para distritais de partidos oposicionistas que pretendiam ficar no governo, como Israel Batista, do PDT.
 
 
 
3 No troca-troca em curso, valem as mesmas razões. Estava claro que o PSD não teria como reeleger todos os seus quatro distritais. A dispersão seria inevitável. Ocorreu em overdose: todos os quatro saíram. O mesmo valia para o PEN, que também corre o risco de desaparecer. 
 
 
 
4 Agora, porém, há o caso das incógnitas que permanecem na política do Distrito Federal. Os destinos dos ex-governadores Roriz e Arruda ainda não estão claros, nem se podem ser candidatos. E todos aguardam o caso da Rede.
 
 
Partido não é propriedade
 
 
Joe Valle explica que sua opção pela Rede Sustentabilidade foi tomada pelo conceito que ela traz, segundo ele, diferente do que existe na política atual. “A Rede tem dentro de si o espírito de mudança. Ela traz uma reforma política dentro do próprio estatuto” exalta Joe.
 
Coronelismo
 
De acordo com o distrital, ele está em busca de um modelo diferente de política, que não esteja atrelado ao coronelismo, onde os militantes têm as siglas como se fossem de sua propriedade. “Precisamos de novidades na política e acabar com esse troca-troca de favores. Precisamos de mais projetos e que as lideranças se unam para discutir esses projetos”, defende o distrital.
 
Para ele, os novos partidos que estão surgindo são um retrato da população, mas lamenta que mesmo diante de tamanha popularidade de Marina Silva, o número de assinaturas para que seja oficializada a Rede não seja o suficiente para a Justiça Eleitoral. “Outros partidos usaram uma verdadeira máquina para conseguir essas assinaturas e nós tivemos muitos problemas para conseguí-las. Agora é esperar que a Justiça aceite”, conclui Joe Valle.
 
A Rede corre contra o tempo para sua aprovação.

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