Com as divergências observadas nas votações mais recentes do Congresso, cada vez mais o Planalto e os petistas se mostram contrariados com as movimentações dos integrantes do PMDB, o que leva a crer que a coligação entre os dois partidos pode estar seriamente ameaçada.
Avaliação mais detalhada nos estados mostra que, revanchismo e queixas à parte entre as duas legendas, o apoio do PMDB ao PT depende muito dos palanques que estão sendo formados para as próximas eleições.
Candidaturas prontas
O quadro se apresenta complicado em ao menos 11 estados: Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Roraima, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em nenhum está tão complicado quanto no Rio de Janeiro.
Diante do lançamento do senador petista Lindberg Farias, o governador peemedebista Sérgio Cabral já acena até com a possibilidade de vir a se aliar ao PSDB, sonho antigo do senador e pré-candidato Aécio Neves. Jantou com o ex-presidente Fernando Henrique, articulador tucano.
O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), foi um dos primeiros a declarar – desde o ano passado – que “tem sido dado um tratamento político desigual ao partido”.
Durante a votação da Medida Provisória dos Portos, duas semanas atrás, Cunha – quem mais atrapalhou os planos do governo para a aprovação da MP – voltou a soltar sua metralhadora giratória: disse que as articulações feitas com a legenda têm sido ruins e que, nas negociações com a base aliada, nota-se a “falta de comando”. “Faltam pessoas com o perfil do Palocci neste governo”, ironizou.
Artífices da crise
Peemedebistas antigos, como o presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (RN), bem como o líder do PT na Casa, José Guimarães (CE), tentam atuar como bombeiros, colocando panos quentes na briga. Embora reconheça que há problemas regionais, Alves garante a preservação da aliança a nível federal. “Estamos criando artífices de crise, costurando um caminho que pacifique a base, não apenas o PMDB. O PMDB é aliado e sempre foi”, completou Guimarães, no mesmo tom.
Até apoio ao PSDB pode vir
Os confrontos com o PT levam até a aproximações com o PSDB. Em Santa Catarina, o senador e ex-governador Luiz Henrique (PMDB) apoiou Serra nas últimas eleições e dá sinais de que repetirá a dose no apoio ao PSDB no próximo ano.
No Paraná, foi o PMDB que rachou. Uma parte foi cooptada pelo governo de Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição. Outra, vinculada ao senador Roberto Requião, pode apoiar sua candidatura. Fica difícil, dessa forma, conseguir apoio para a candidata petista à sucessão de Beto Richa, Gleisi Hoffman (PT), ministra-chefe da Casa Civil.
Racha não é novo
Em outros quatro estados o racha não é novidade para a base do governo: Roraima, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em RR, a prefeita Teresa Surita (PMDB) – ex-mulher do senador Romero Jucá e a ele vinculada – foi eleita no ano passado com apoio do governador Anchieta Júnior, do PSDB. Seu grupo deve enfrentar a petista Ângela Portela.
Em Pernambuco, o principal cacique do PMDB, senador Jarbas Vasconcelos, que sempre fez oposição ao PT e apoiou o PSDB em eleições anteriores, agora está coligado com o PSB de Eduardo Campos e procura capitanear políticos descontentes para a chapa de Campos.
Casos históricos
No Rio Grande do Norte, apesar do discurso unificador do presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, PMDB e DEM são aliados históricos. Outros problemas antigos ocorrem entre o PT e os peemedebistas no Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul.
Ponto de vista
Deputado há 43 anos e hoje presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves garante que está forte a colaboração entre seu PMDB e o PT da presidente Dilma. “Apesar de todas as especulações, continua firme a ligação entre PT e PMDB”, diz Henrique Alves, em referência velada ao combate em torno da Medida Provisória dos Portos. “É uma dobradinha que deu certo”, resume. Entretanto, mesmo em seu estado, o Rio Grande do Norte, é mais que provável que o PMDB mantenha apoio ao DEM, contra o PT.