SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Discreto, sem redes sociais e longe da ostentação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Assim é descrito Benjamim Botelho de Almeida, nome que apareceu na proposta de delação premiada do ex banqueiro.
Ele é dono da gestora de ativos Sefer Investimentos e foi apontado pela Polícia Federal como a mente por trás da estrutura que organizou fundos, operações com títulos duvidosos, captação de pensionistas, além de transações que inflaram ativos no ecossistema do Master.
Nesta sexta-feira (26) o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Sefer. A distribuidora foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do caso do Banco Master.
Botelho foi procurado pela reportagem a partir da assessoria de imprensa da Sefer por e-mail, na manhã desta sexta, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
A Sefer Investimentos tinha em maio R$ 12,9 bilhões sob administração, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. O BC classificou a empresa no segmento S4, ou seja, de pequeno porte. Tem baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, com menos de 0,0004% do ativo total e 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
Botelho é operador da família de Vorcaro desde 2019 e atuava na instituição antes mesmo de o Banco Máxima pertencer a Vorcaro e se tornar o Master, em 2021, segundo a investigação da PF. Na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias envolvendo o banco de Vorcaro, a PF afirmou que a maioria das operações suspeitas da família também envolve empresas do empresário.
A corporação afirma que Botelho gere fundos de investimentos que compram imóveis e outros ativos considerados duvidosos, e supervalorizam os preços. Estes imóveis e outros bens são revendidos a empresas de Vorcaro, o que causa prejuízo aos investidores dos fundos administrados por Botelho e que são utilizados para estas operações.
Além da compra de imóveis estão entre as transações, segundo a PF, a “compra e venda de fundos imobiliários, debêntures e outros títulos de origem duvidosa, constituição de empresas de fachada e conflitos de interesses entre empresas da mesma família”.
Segundo a PF, a Sefer integrou esquemas de repasse de recursos para empresas ligadas à família de Vorcaro. Entre as beneficiárias, estaria a Milo Investimentos, que, segundo dados da Receita Federal, é controlada por Natália e Henrique Vorcaro, irmã e pai do delator.