Política & Poder

Desiludidos podem ser o alvo de Alckmin para vencer Lula

Por Arquivo Geral 03/10/2006 12h00

A disputa pelo Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PDSB) divide a opinião dos analistas quanto ao destino dos votos dos eleitores dos candidatos que ficaram para trás na corrida eleitoral, visit this site more about que será definida dia 29.

Uma das avaliações é de que os dois candidatos têm condições de seduzir os eleitores de Heloísa Helena (PSOL) e de Cristovam Buarque (PDT), rx mas há também quem entenda que Lula já chegou ao teto de votação, ed ao contrário de Alckmin.

De qualquer modo, alerta o cientista político Sérgio Abranches, apenas a migração de parte dos eleitores da senadora e do pedetista não será suficiente para tornar a candidatura do tucano competitiva o bastante para vencer Lula.

Pesquisa do Datafolha, na véspera do primeiro turno, mostrava que 53% dos eleitores da Heloísa Helena tendiam a votar em Alckmin no segundo turno, contra apenas 29% a favor do petista.

Considerando os 6,6 milhões de votos que ela efetivamente teve no domingo, isso representaria um reforço de 3,5 milhões para o tucano e de 1,9 milhão para o petista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A pesquisa mostrava ainda proporções muito parecidas no caso dos eleitores de Cristovam, que teve 2,5 milhões de votos: 53%, ou 1,3 milhão de votos, para Alckmin, e 26%, ou 0,7 milhão, para Lula.

"Por isso, Alckmin terá de empenhar-se mais em reduzir a taxa de alienação eleitoral do que em seduzir Heloísa e Cristovam", disse Abranches, referindo-se ao alto índice de abstenções e aos votos brancos e nulos, que, no primeiro turno, somaram 25,16% (cerca de 30 milhões de eleitores, de acordo com dados do TSE).

Abranches faz os seus próprios cálculos para explicar o argumento. "Heloísa Helena, que contabilizou 6,85% dos votos válidos, ficou com cerca de 2 pontos percentuais a menos do que indicavam as pesquisas. Isso mostra que, de alguma forma, já houve uma transferência de votos para Alckmin".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ele afirmou ainda que, do total de eleitores que apoiaram a senadora, metade não deve votar em nenhum dos candidatos que disputarão o segundo turno.

"Tratam-se de militantes de esquerda desiludidos com o PT, que, claro, não votarão em Lula e dificilmente votariam em Alckmin", disse Abranches.

A outra metade, entretanto, poderá votar no tucano, o que significaria 3 pontos percentuais a mais para ele. Ontem a senadora anunciou uma posição de neutralidade e liberou os militantes para a votação do dia 29.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Eu não vou pedir às pessoas para fazer nada. Eles são livres para fazer o que bem quiserem", disse Heloísa Helena em Alagoas.

Já os eleitores do senador Cristovam Buarque (PDT), que obteve 2,64% dos votos, são muito mais próximos de Alckmin do que de Lula, não só pelo perfil político do PDT, como pelo desapreço que têm pelo PT, disse Abranches.

"Uma vez esgotada a capacidade de atrair os votos de Heloísa Helena e de Cristovam Buarque, Alckmim terá de buscar eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou anularam seus votos", disse Abranches. Para ele, esta será a melhor chance do tucano para vencer o segundo turno.

Por isso, explicou Abranches, os quase 8,8 milhões de eleitores que compareceram às urnas e votaram em branco (2,73%) ou anularam seus votos (5,68%) precisam ser convencidos de que o futuro presidente vai corrigir os erros do anterior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Alckmin precisa se aproximar desse eleitor e convencê-lo de que, tendo a chance (de chegar ao Planalto), vai corrigir os erros que levaram esses brasileiros a fazer o voto de protesto", disse Abranches.

Rubens Figueiredo, diretor do Cepac Pesquisas e Comunicação, avalia que Alckmin tem muito mais chances de agregar eleitores do que Lula, que, na opinião dele, chegou ao limite de sua votação.

"Além disso, acredito que o primeiro turno foi uma vitória para o tucano e uma derrota para o petista, resultado que vai gerar muito mais entusiasmo na oposição (coligação e eleitores), que viu que dá para ganhar, do que entre os petistas", disse Figueiredo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso, de acordo com ele, muda o clima eleitoral em favor do tucano para se aproximar dos índices de intenção de voto do petista. "O ânimo entre os tucanos está muito melhor. Do outro lado, vi um Lula muito abatido", disse o diretor do Cepac, ao se referir ao aparecimento do presidente na TV para uma entrevista à imprensa ontem.

Abranches acredita que, nos próximos dias, deve haver uma reacomodação do eleitorado, que poderá ser observada já na primeira pesquisa após o primeiro turno.






Você pode gostar